Estava tão perto, mas demorei. É aquela história: é fácil, depois eu vou. E você vai deixando. Nestes quase seis meses aqui eu fui a Alemanha, Suécia, Sérvia (passando pela Hungria), Irlanda, Bélgica, Holanda e, é claro, minha Itália. E, por último, a vizinha, aqui do lado, França. O décimo país visitado, contando com o meu querido Brasil, é claro.
Cada país uma experiência uníca, uma cultura diferente, e sempre na companhia de pessoas sensacionais, sejam amigos de antes ou conhecidas na viagem. Volto a repetir, não importa onde, mas sim com quem. E até mesmo os lugares que não me impressionaram, como o caso clássico e polêmico de Dublin, valeram a pena pela companhia. E sempre vale a pena conhecer culturas novas. Procuro sempre experimentar pratos e bebidas típicos, aprender algo do idioma e conhecer a cultura e tradições de uma forma geral. E nisso tudo, a França me impressionou.
É fato que a região de Grenoble que visitei se assemelha muito a Torino, mas as pequenas diferenças fizeram, de fato, diferença. Saí de Torino feliz de abandonar a neve e cheguei a Grenoble com mais neve ainda. Voiron então era como um cenário de "O abominável homem das neves". Mas o calor da recepção, tanto por parte dos brasileiros, quanto por parte dos franceses, deixou a neve em segundo plano. O que falar do jantar francês com um prato típico de batatas chamado Gratin Dauphinois e depois uma tábua com inúmeros tradicionais queijos franceses? Sem esquecer do vinho francês e da companhia agradável da família francesa do meu amigo Anthony que, mesmo com a dificuldade do idioma, pudemos nos comunicar e desenvolver alguns diálogos legais. Até aprendi e arrisquei um pouco de francês! Valeram as aulas da querida professora e ex-orientadora, Giani!
E já que estamos falando de cultura, até o futebol eu traí! Mas por uma boa causa. Descobri o rugby! Uma paixão antiga dos franceses que ainda não pegou no Brasil. Mas como diz a propaganda, um dia isso vai ser grande por lá! Por enquanto, aqui, eu já escolhi meu time. Ici! Ici! C'est Grenoble! Apesar de eu não ter sido pé quente como meu amigo francês foi para o Cruzeiro, espero ter a oportunidade de ir a outros jogos. Mas também não dá pra comparar né? De um lado, aquele frio e aquela neve congelavam meus pés. Não tinha como esquentar. Do outro, o Cruzeiro contra o Atlético-MG, ainda mais em final de campeonato. Não precisa nem de meia. Qualquer um descalço, na torcida celeste, tem os pés pegando fogo.
Um ponto bem interessante que verifiquei foi a veracidade de que franceses não gostam, ou não sabem, falar inglês. Pelo menos em Voiron, não era fácil se comunicar neste idioma. E não falo somente de pessoas mais velhas, mas sim de jovens que, normalmente, até mesmo no Brasil falariam pelo menos um inglês básico. Se é por causa de guerra com a Inglaterra ou orgulho do próprio idioma não sei. Fato é que se não fosse o meu amigo francês que, mesmo após 1 ano e meio fora do Brasil, fala um português invejável para muitos brasileiros, eu não poderia ter me comunicado muito por lá. Exceto com um francês que falava italiano. Aqui um momento de orgulho próprio: falar italiano fora da Itália, com um francês filho de italiano, e perceber que falava italiano melhor que ele. Mas o ápice linguístico da viagem não foi este, mas sim quando meu amigo francês contou que conheceu um paulista que ficou impressionado com seu sotaque mineiro ao falar português. Quanto orgulho!
Pra finalizar o maravilhoso fim de semana na região mais italiana da França, um almoço italiano com meu amigo francês e meus amigos brasileiros. O cozinheiro? Obviamente o aprendiz aqui. Uma pasta alla carbonara tradicional romana acompanhada de vinhos tinto e rosé franceses. E na terra dos queijos, um queijo italiano roubou a cena: o meu preferido Pecorino Romano, que serviu tanto à pasta, quanto como acompanhante dos vinhos e conquistou a todos.
Então, por isso tudo, peço desculpas ao Belchior, para mim o maior compositor da música brasileira. Não! Não quero esquecer o francês, a França, os franceses, e nem nada disso que vivi por lá. Muito pelo contrário. Quero sempre lembrar e até mesmo poder reviver, retornar. Au revoir, France!
E o vídeo desse post é exatamente a música citada do Belchior. Para quem não conhece, Tudo Outra Vez, uma bela canção que ele escreveu há décadas quando exilado na França, mas que ainda toca o coração de muita gente. Principalmente de quem está há tempo, muito tempo, longe de casa.
E o vídeo desse post é exatamente a música citada do Belchior. Para quem não conhece, Tudo Outra Vez, uma bela canção que ele escreveu há décadas quando exilado na França, mas que ainda toca o coração de muita gente. Principalmente de quem está há tempo, muito tempo, longe de casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário