Previosly on the TT's life! Só que não! Haha. Continuando do ponto em que eu estava sozinho, sem crédito, e em um lugar que só falavam sérvio, idioma em que também não sei nem pedir cerveja! Mas em um momento de sorte, apareceu uma tia no ponto de informações turísticas que arranhava um inglês meio capenga. Mas pra quem entende italiano falando inglês foi moleza! Então expliquei minha situação e consegui um celular emprestado para ligar. Passado o desespero do primeiro número não funcionar, consegui falar com a Jovana, responsável por delegados da conferência. E depois de alguns minutos Nemanja, meu bom host, estava lá para me buscar. E que recepeção tive em sua casa! Sua família é bem legal e até comida típica comi no jantar.
No dia seguinte, após durmir poucas 4 horas (minha média diária por 10 dias), estávamos partindo para Kopounick, as montanhas. E uma grande surpresa enquanto embarcávamos. "Oi! Você é o brasileiro?". Sim! Uma garota sérvia que falava português perfeitamente, apesar do carregado sotaque de Portugal. Haha. Mas foi muito legal e fomos conversando em português a viagem toda.
Ao chegar no hotel, mais uma surpresa. Me apresentando pra delegação internacional "Hi! I'm brazilian." e ouço "Ah! Você é brasileiro?", só que desta vez com o lindo sotaque brasileiro e mais lindo ainda sotaque catarina cantado! Sim! Outro brasileiro na conferência, e de Joinville, cidade que gosto tanto. Talvez o principal input que recebi nesta conferência foi o network. Conheci pessoas de diversos países diferentes e foi muito legal ouvir suas histórias. No meu quarto, por exemplo, tinha 3 garotas: uma da Alemanha que mora na Holanda, uma da Bulgária e uma da Sérvia que mora na Bósnia. Conheci também gente da Grécia, Turquia, Argéria, México, Macedônia, Croácia, Eslováquia... E conheci a neve!
Dia 1º de Dezembro de 2012. Foi um susto e uma reação de criança que abre um presente no natal e é aquele presente! Quando entrei no hotel estava tudo colorido, e quando saí, só via aquele branco, lindo! Fiquei paralisado por um instante e não conseguia acreditar que era verdade. Precisei tocá-la. E aí caí na real. Não que precisasse, pois a conferência por si só já foi inesquecível, mas a neve veio pra marcar ainda mais estes dias na minha vida. Parecia até de propósito, como em um roteiro de filme.
E depois de dias maravilhosos, pessoas fantásticas e sessões sensacionais e sessões inspiradoras, saio da Sérvia com o coração na mão, pronto para entregá-los. Com certeza deixei lá um pedaço de mim e carrego um pouco de tudo aquilo comigo. Dias que não são para não esquecer, mas sim para sempre lembrar. E neste momento que escrevo esse texto, depois de durmir apenas 2,5 horas, o trem acaba de partir. Serão 8 horas de trem até Budapeste, mais 2 horas de avião até Milão e mais 2 horas de ônibus de Milão até Torino. E eu me importo? Fui além ou, pelo menos, atingi meu limite? Não! Valeu a pena e faria tudo de novo! E e limites? Eu ainda não conheço os meus. Só sei que ainda tenho um mundo pra conhecer e viver!
E a música dessa vez será em homenagem à minha querida amiga búlgara Marcy. Ela fez dessa música o roll call da delegação internacional e foi um sucesso! Sempre lembro da Sérvia quando ouço.
Não vou me ater aos detalhes das viagens para Berlin e Estocolmo que precederam a aguardada conferência. Apenas um ponto: o desespero de quase perder um voo. Levantamos as 2 da manhã e fomos para a estação de metrô que, segundo informações, deveria estar aberta. Ao vê-la fechada, fomos pra rua no desespero e encontramos um ponto de ônibus com um inglês esperando para ir ao mesmo lugar que iríamos. E no final deu tudo certo. Apenas um susto de viajante inexperiente.
Então vamos direto pra Milão, onde pousamos às 9:26 da manhã. Tinha ônibus para o centro às 9:30 e depois só as 10h. Pensa em alguém correndo aeroporto afora? E pensa na alegria desse alguém ao ser o penúltimo passageiro a embarcar antes do õnibus lotar as 9:34? Por volta de 10:50 eu já estava, de fato, em Milão com chuva, procurando uma forma de chegar ao consulado. Com a ajuda de amigos, principalmente do Ricky, e do santo google maps do mais santo ainda iphone, consegui chegar ao consulado às 11:35. O mesmo fecharia às 12h. Pedido de visto feito, almoço no padroeiro dos estudantes sem dinheiro, Mc Donalds, 63 euros saindo do bolso e visto na mão às 14h.
Meu voo para Budapeste saíria na manhã seguinte. Então, graças a Julia de Pisa que hospedei em Torino, consegui um lugar pra passar a noite. Obrigado especial a Manuela que me recebeu tão bem. Aqui uma dica: sempre que puder receba alguém na sua casa. Você também precisará um dia e é uma economia que faz diferença, além, é claro, de conhecer pessoas maravilhosas. Então, eu iria pra casa da Manuela, mas só depois das 21h. O que fazer, com chuva e mala, até lá? Então o Denis, que merece ser canonizado por isso, dá a dica do açaí de Milão! Perfeito! Passei a tarde lá trocando idéia com o dono italiano sobre frutas brasileiras. Tomei açaí, suco de maracujá, carreguei meu iphone e ainda ganhei pão de queijo!
De Milão a Budapeste foi bem tranquilo. Cheguei cedo na Hungria, peguei um ônibus e um metrô e cheguei na estação de trem. Nesse percurso senti já duas grandes diferença da parte oeste da Europa: baixo custo de vida e (não) modernidade de coisas como transporte. Outra diferença eu sentiria com o tempo: pessoas. E almoçando perto da estação e conversando com um egípcio, ele definiu bem essa diferença em uma palavra como nunca vou esquecer: vida. No leste há mais vida. Mais vida nas pessoas.
E já no trem, com meu companheiro Hagrid Húngaro, a viagem foi bem tranquila. Ponto de atençao: na fronteira eles realmente são bem rígidos na Sérvia. Conferiram e carimbaram meu passaporte duas vezes. E foi no trem, que me toquei sobre uma questão importante. O que faria quando chegasse a Belgrado? Fiquei tão preocupado com as outras questões que não pensei em coisas óbvias como esta. No desespero recorri ao meu amigo Luan por sms que foi um herói ao me enviar dois números de telefone que estavam no boocklet da conferência.
E enfim, depois de 8 horas de viagem de trem, Belgrado! E aí, um dos momentos de maior desespero. Meus créditos haviam acabado e eu não conseguia comprar cartão para telefone público porque ninguém falava inglês, nem mesmo o cara do ponto de informações turísticas! E então? O que fazer?
To be continued...
E a música de hoje, não consegui pensar em nada diferente. Trem... trem... Essa parte da viagem foi muito marcante pelo trem e tudo que passei nele. Então, que venha o saudoso Adoniran!
Esse fim de semana estava contando para meu amigo Bombeiro sobre uma das grandes e corajosas experiências que tive na vida: ir sozinho para a Sérvia. Bom, foi um momento bacana de muitas lembranças e, fuçando no meu celular, encontrei um texto que escrevi sobre essa viagem única e marcante da minha vida. E aí viajei mais uma vez naquelas palavras (leia-se memórias). Esta aí uma grande (enorme) vantagem de escrever: eternizar momentos. Quem disse que uma imagem vale mais que mil palavras? Sabe de nada, inocente. Bom, como o texto é muito grande, e eu já havia postado uma versão resumida dele aqui (por questão até de bom senso), resolvi dividi-lo em três partes e postar uma de cada vez. E aqui vai o "1° Capítulo" dessa loucura sã...
Um dia. Uma tarde. Um momento. O momento. O momento que a presidente da AIESEC Torino postou no facebook sobre a NatCo. Mas o que seria isso? Mais ainda, o que poderia ser isso? Pela breve pesquisa feita, fruto do interesse súbito, seria a centésima edição de uma famosa conferência da AIESEC Sérvia que comemorava seus 60 anos. Promessa de um evento especial. Mas seria muito além disso. Seria além de todos os limites.
Naquele momento, comecei a pensar e decidir ir ou não. Alí já surgiam os problemas. Primeiro, a conferência seria de 28/11 a 02/12. Eu já tinha viagem programada entre 21/11 e 26/11. Como deveria chegar a Belgrado no dia 27 e partir dia 3 por causa dos horários, não valeria a pena voltar pra Torino. Então seriam 13 dias fora de casa. Em seguida pensei nas aulas. Seriam, de fato, 7 dias de aula perdidos. Mas ouvi um sábio conselho de uma sábia e experiente pessoa no assunto: "Tarcisão, o que você vai contar para os seus netos? Que não matava aula no intercâmbio?". E aí pus na balança. De um lado, aulas que são, na maioria, gravadas e disponibilizadas na internet, e do outro, uma oportunidade de experiência que não saberia quando nem se teria novamente. Decidido sobre aulas, veio um conhecido problema: dinheiro. Mas eu tinha (ingênuas) esperanças de que a CAPES pagasse até a data. Como não pagou, aqui um agradecimento especial aos meus pais que me deram o suporte para viver tudo isso. Garanto que cada centavo valeu mais que a pena.
E o quarto problema, depois de já decidido, uma surpresa: brasileiros precisam de visto para entrar na Sérvia. Por sorte (ou destino), existe um consulado servio em Milão, onde meu avião de volta de Estocolmo pousaria na segunda, dia 26. Entao eu teria exatamente um dia pra resolver. Depois de ligar para o consulado, confirmei a decisão. Iria para a Sérvia.
Então, hora de planejar detalhes e comprar as passagens. De Torino ou Milano diretamente para Belgrado não existem opçōes baratas, então o trajeto seria Milano-Budapeste de avião e Budapeste-Belgrado de trem. E aí veio o quinto problema que pode ser dividido em 3 partes. Na primeira, a decepção ao verificar que as passagens pela Ryanair para Budapeste haviam aumentado e tornado a viagem inviável. Primeira desistência. Após algumas horas inconformado, fui tentado a uma última tentativa: Skyscanner. E lá foi que descobri a Wizzair e suas passagens baratas para o leste europeu. Mas ai veio a segunda parte do problema das passagens: cartao de crédito. Por problemas bancários não conseguia comprar as passagens. Segunda desistência depois de um dia de tentativas. No dia seguinte, uma última ligação para o banco e bingo! Problema resolvido. Passagens ok? Não! A terceira parte do problema e que pode tambem ser dividida em outras duas relativas ao trem. Primeiramente, a versão em inglês do site não funcionava. E eu não sei nem pedir uma cerveja em húngaro! Quanto mais comprar passagens de trem. Quando finalmente funcionou a versão em inglês, a compra não finalizava. Depois de muita persistência e uma tarde perdida, enfim, consegui comprar as passagens! Pronto! Eu iria mesmo pra Sérvia!
To be continued...
Vídeo de hoje: Permitam-me ser piegas e repetir Lulu e seus Tempos Modernos? Não consegui pensar e nem há outra música que traduza tão bem aquele momento.
Nem me lembrava mais da última vez que estive por aqui. É verdade. Estive sem inspiração. Não por falta de motivação. Acho que motivos tive até muitos para escrever. Tantos que, inclusive, estão acumulados. Mas é que precisava de um tempo. Um tempo disso tudo. Dessa vida que vivi e que vai viver pra sempre em mim. Mas assim como estava falando com o Rafa, meu eterno irmão de família Ordem, embora doa, tudo que é bom tem que acabar. São os finais que dão oportunidade para novos começos, para a renovação. Não fossem os finais de diversos outros bons e saudosos ciclos de nossas vidas, não teríamos tido a oportunidade de viver aquele inesquecível e intenso na terra da culinária mais apreciada do mundo. E foi exatamente o fim deste último ciclo que disparou o início do próximo: andar por este país.
O planejamento inicial é poder visitar cada uma das pessoas que foi importante e especial de alguma forma pra mim durante meu intercâmbio. Mais que conhecer lugares, eu quero rever pessoas. E quem me conhece sabe que para mim, viajar nas pessoas é muito mais importante que passar por lugares. E, por ironia do destino, comecei por São Paulo, 15 dias após pisar novamente em terras canarinhas. Digo ironia, pois sempre falei que não tinha a menor vontade de passar em São Paulo, nem pelo alto. De cidade grande, Belo Horizonte já é o limite do stress pra mim. Mas como tinha uma conferência nacional da AIESEC Brasil, resolvi "unir a fome com a vontade de comer" e dar uma estendida de alguns dias na capital paulista. Foi muito bom por ter tido o grande prazer de reencontrar os mais que especiais Laurinha, Dênis, Luan e Pavê, mas, como previsto, a cidade não me impressionou. De positivo, o metrô (mas ainda é insuficiente para toda a população) e o preço da Original no DA da FAU. De negativo, o trânsito (congestionado às 14h) e os preços absurdos. Logo que cheguei, mais esfomeado que um italiano ao sair do balaio, já foi um choque ao procurar algo para comer. Não encontrei um delivery onde um hambúrguer simples (pão e carne) custasse menos que 15 ou 20 reais. Só o sanduíche. Decidi ficar com fome. Economiza e emagrece. E o lanchinho na rodoviária? R$ 9,70 um pãozinho (bem inho) de queijo e uma caixinha mini de capuccino gelado. Alí não dava pra segurar a fome tendo pela frente a viagem longa de ônibus até o hotel da conferência. Paguei, comi e chorei.
Antes de passar para o próximo destino, quero destacar as três visitas especiais que recebi em BH: o Carlão mais sussa do estado de Goiás, o italiano mais gaúcho-mineiro do mundo, Marcello, e o meu outro irmão de Ordem, Flavão ubriaco! Como sempre, tivemos momentos épicos e ímpares aqui na terra da cachaça. Falando em terra de bebidas, vem o próximo destino: a Serra Gaúcha, paraíso dos vinhos. E foi daquelas viagens especiais que descrever sem utilizar a palavra "sensacional" vira desafio. E poderia ser diferente? Serra gaúcha, vinhos artesanais maravilhosos, parreirais belíssimos, influência e tradição italiana, e eles! Os burrões mais queridos do planeta! Encontrão CsF Torino pra formatura da Pesce. Foi um prazer enorme reencontrar Pexinho, Juline, Prix, Natana, Lari, Avon (Muriel), a Rafa, o Rafa, Flavão, Denis, Carlão e, último, mas não menos importante, o grande (ee) Marcião. De negativo, pouca coisa. Acho que só o cheiro ensurdecedor dos "despejos" dos gatos da Joline, os vinhos Aurora, e o terrível acidente na adega da Ju. De positivo, vixi! Tanta coisa. Primeiramente, a realização do sonho de roubar um bode!!! Depois, o fantástico (e rápido) acesso de trem ao aeroporto de Porto Alegre, a Serra Gaúcha, os parreirais, os vinhos e espumantes Toniolo, a costela gaúcha, o casal simpático de velhinhos da pousada, o hi-five do Marmita e, é claro, a companhia dos burrões!
Meu próximo destino já havia sido profetizado pelo Nelstradamus em Torino, como bem lembrou ele. Mas se bem que não era algo de difícil previsão. Pela sintonia com as pessoas, principalmente com um dos meus irmãos de Ordem, e pela sintonia entre as cidades. Sabem de onde estou falando? Uma dica: Curizonte. Outra: Beloritiba. Cidades que se confundem e, ao mesmo tempo, se diferenciam completamente. Um dos maiores exemplos foi o Mercado Municipal. O de BH parece a Porta Palazzo, só que com butecos e pessoas em pé bebendo e comendo fígado e chouriço com jiló. O de Curitiba parece shopping com restaurantes finos e caros. Em alguns pontos, Curitiba nem parece Brasil. Lembra Europa. Principalmente pelos parques e aproveitamento do espaço público. E esse caráter "europeu" curitibano chega até a soar como ostentação. Tudo lá tem que ser belo e exagerado. Se não o for, está fadado ao fracasso. Basta pegar como exemplo as famosas "burguerias" e qualquer outro lugar na badalada Avenida Batel. Outro exemplo é o Madalosso - maior restaurante do mundo - e todo o Santa Felicidade. Madalosso que de italiano não tem nada. Aliás, talvez a única coisa italiana que encontrei lá foi a ignorância do garçom. Talvez foi por estar no salão Roma. Poderia ter sido diferente se estivesse no Torino, caso existisse. Mas vale a pena conhecer, principalmente pela região espetacular que é Santa Felicidade. Ela e toda Curitiba inspira e transpira Itália. E por isso me senti em casa. Certamente voltarei, Curitiba. Ainda mais tendo recepções fantásticas como tive do Rafa e da sua mãe, Márcia. De positivo, então, essa italianidade, os preços dos vinhos italianos (levei 8 pra BH pagando cerca de R$ 130,00), o Bar do Alemão (uma das coisas mais fantásticas de Curitiba), o gelato italiano da Gelateria Freddo (OMFG já quero mais!), o Costelão (achei ótimo o custo/benefício) e, certamente, as pessoas que reencontrei (Rafa, Márcia, Leo e Carol) e as demais que conheci. De negativo, o canteiro de obras em que a cidade se encontra (atrasada, obviamente, para a Copa do Mundo), as filas enormes em diversos lugares, a desorganização do aeroporto, a limitação para comprar pinhão (nunca vi limitar o cliente) e o vinho campo-largo do Madalosso (nada italiano, muita dor de cabeça). Não vou citar o clima como negativo, pois, como profetizado por mim mesmo, levei o sol e deixei a chuva.
Bom, por ora, casa. O próximo destino? Só as promoções áreas poderão dizer! Mas se depender de mim e elas cooperarem, em breve estarei pousando em Brasília (alô Flavão!) ou Goiânia (alô alô Natonga e Carlão). E na sequência, Belém (aê Rickão e Kelly!). Depois Floripa (siamo noi Prix!). E o que mais tiver pela frente. Até começar tudo de novo.
Ps: Enfim atualizei meu perfil aqui no blog que antes dizia "um mineiro da grota realizando o sonho de morar na Itália". Resolvi não limitar nem ao Brasil e nem a lugar algum. Quem tem limite é município. E eu sou do mundo!
A música de hoje não poderia ser outra que não essa do nosso saudoso Gonzagão que deu origem ao título desse texto. Mas resolvi colocar mais uma que marcou a viagem para a Serra Gaúcha. Por que se a Aurora fosse sincera né gente?