quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Step by Step - Parte 2: Magyar – A magia de Budapest



O primeiro capítulo da nossa viagem terminou com o início da nossa primeira viagem de trem: de Vienna para Budapest. E que trem! Conforto, ar condicionado, wi-fi e restaurante que vende cerveja! Diferente do trem de passageiros da Vale no Brasil que não vende e nem permite o consumo de bebidas alcoólicas dentro dos carros. Pra acompanhar a cerveja (não tão gelada, como a maioria que se compra na Europa) comprei umas salsichas diferentes – afinal estávamos na Áustria – que vieram com uns tubos parecendo cola capeta, mas que na verdade eram mostarda e raiz forte. Este foi nosso almoço no trem. Uma pausa aqui: fiquei tentando encontrar palavras sinônimos para não repetir "trem". Mas é um desafio nível hard pedir um mineiro pra não falar ou usar a palavra trem. Haha


Ao chegar em Budapest, aquela antiga estação Keleti que me traz boas lembranças de quando me aventurei a ir sozinho pra Sérvia em 2012 e aquele metrô vintage (pra não falar outra coisa hehe) que nos levou até o hostel. Hostel, bar, balada, cortiço, caverna... Difícil encontrar o melhor nome para aquele local. Mas era bem peculiar, um party hostel chamado Retox. Teoricamente um hostel com 24 horas de festa em que te avisam no site que você provavelmente encontrará pessoas bêbadas e vomitando pelos cantos (e você poderá ser uma delas inclusive). Porém, ninguém aguentou acompanhar os brasileiros e nos mandaram dormir a certa altura da madrugada. Foi frustrante. Ainda assim, e apesar do péssimo banheiro, foi uma experiência interessante que recomendo.


E em Budapest tive o segundo reencontro da viagem: a doce Dorka veio nos encontrar no hostel trazendo uns deliciosos chocolatinhos com queijo que são bem típicos da Hungria. E falando em reencontros, um bem inesperado foi com o Vilsão e outros brasileiros da AIESEC na Ponte Verde, a minha preferida da capital húngara. Muito legal a iniciativa de fechá-la 1 domingo no mês para que as pessoas possam utilizá-la como espaço público que é. E que sorte estar lá nesse domingo.


Depois de beber um bom vinho branco húngaro comprado pela Dorka, fomos andando até a famosa praça Ferenciek tere. De lá, fomos para o incrível Szimpla. No meio do caminho, uma parada para jantar uma comida típica húngara em um restaurante aparentemente húngaro. Aí veio o segundo golpe da viagem. Não que o goulash que comi e o lángos que o Hugo comeu estivessem ruins (mas bom também não estavam rsrs), mas o atendimento foi péssimo! E não era um lugar pega turista porque era tudo escrito em húngaro e só tinham húngaros lá. Ao sair lemos a placa da entrada: comida pobre, serviço lento e pessoal rude. Sim! Revoltados fomos pro Szimpla. Lá foi tudo bom: o vinho, a cerveja, o narguilé, a música, o ambiente... Que lugar!


No dia seguinte fomos turistar um pouco. Decidimos ir ao Mercado Municipal de Budapest. Eu sempre gosto de conhecer os mercados locais e acho que é a melhor forma de conhecer e viver um pouco da cultura do lugar. E o mercado de Budapest é incrível. Um prédio antigo, charmoso e coisas maravilhosas lá dentro. Desde comida até artesanato. E quanta comida! Tanto que decidimos almoçar por lá mesmo. E foi engraçado porque escolhemos o restaurante mais top (e claro que o mais caro) e quando perguntamos pra recepcionista como que era o esquema e o preço ela só disse “é caro, muito caro”. Acho que não nos queriam lá, mas ofensores que somos, foi lá mesmo que ficamos. E comemos bem, pagando caro: o equivalente a 40 reais (muita comida e bebida). Sério, aquele lugar (Budapest) é ridiculamente barato.


Depois, pesados de tanto comer, fomos andar, como de costume em Budapest. Fomos a pé até o Castelo em Buda (até lá em cima mesmo, passando por altos atalhos íngremes). Matei a saudade dos meus amigos corvos e descemos pra voltar pro hostel. De Budapest, encararíamos um trem noturno e viajaríamos por 14 horas para chegar em Brasov, na Romênia. Bons brasileiros e farofeiros que somos, nos preparamos para a viagem comprando vinhos húngaros - que são incrivelmente bons e baratos – e comidinhas estranhas tipo uns salames, uns molhos também em tubos de pasta de dente e um patê esquisito que só descobriríamos mais tarde o sabor.

To be continued...

E a música deste episódio é para homenagear este incrível meio de transporte com o qual chegamos e saímos de Budapest: a coisa, quer dizer, o trem. Hehe

Almir Sater - Trem do Pantanal


sábado, 5 de agosto de 2017

Step by Step – Parte 1: A saga para chegar ao velho continente e as primeiras impressões


6 países, 11 cidades, 16 dias. Parece corrido, parece loucura. Mas o louco não parece bem mais interessante que o normal? E como já dizia o grande poeta Cazuza, o tempo não para e a gente ainda passa correndo. O tempo, aquele que por vezes foi suficiente, outras vezes curto e, por que não, também até demasiado. Ouvimos muito de muita gente que o ideal é visitar no máximo não sei quantas cidades e ficar não sei quantos dias em cada. Mas não existe viagem certa. Existe propósito, existe objetivo. E isso é pessoal. O nosso, desde o início, era estar em movimento, conhecer e descobrir. 


Eu comecei minha viagem cedo, saindo de BH, Aeroporto de Confins, para o Aeroporto de Viracopos em Campinas. Cheguei por volta de meio dia e o Hugo, que tinha pegado ônibus em São Paulo, já estava lá. Nosso voo, comprado pela TAP, mas que seria operado pela Azul (só descobrimos isso depois), sairia às 17h e logo na chegada já vi a informação de que atrasaria 2 horas (ainda era meio dia!). Fiz as contas e infelizmente perderíamos nossa conexão em Lisboa para Vienna. Depois de encarar uma fila gigantesca e demorada para realizar o check-in (pois a Azul não o faz online para voos internacionais), chegou nossa vez. Ao questionar o motivo do atraso e o que fazer com a conexão, nos disseram que ao fazer a manutenção da aeronave, precisaram trocar uma peça que estava ainda para chegar, e que todas as conexões já tinham sido realocadas. No entanto, ao tentarem fazer nosso novo check-in de Lisboa para Vienna, não conseguiram, pois eu já o havia feito online (porque a TAP conhece a tecnologia). Cancelei o check-in pelo meu celular e, depois de horas e 3 funcionários da Azul tentando concluir o novo check-in, finalmente nos deram um bilhete dizendo que era o novo voo, à tarde, nos fazendo perder todo o dia com nossa amiga God em Vienna.


O voo de Campinas para Lisboa foi péssimo. Avião pequeno e desconfortável, comida ruim e cerveja BA-VÁ-RIA! Sim. Eu não sei o que acontece comigo em voos, mas quando fui pra Itália em 2012 pela TAP, serviram Kaiser no avião. Aí estou indo pra Europa 5 anos depois e me servem Bavária. E pra provar que nada estava tão ruim que não pudesse piorar, a TAP se superou ainda mais no voo da volta servindo Skol. A solução foi tomar aquele vinho parecido com Marcus James (eca) pra relaxar e tentar dormir um pouco. Já em Lisboa, quanta confusão. Eu quase apanhei quando falei alto que tinha razão do Brasil ser a bagunça que é, pois tinha sido colonizado por aquele povo. Filas enormes para tudo, banheiros sujos, atendentes mal educados... Até golpe (alô, Temer!) - o primeiro da viagem - sofremos lá. Para usufruir da nova lei de roaming gratuito na União Europeia, compramos um chip da Vodafone lá mesmo no aeroporto. Nos disseram que os 30 GB de dados válidos por 15 dias – que se chamava Internet Anywhere - poderiam ser utilizados em qualquer país do bloco econômico. Ao chegar na Áustria já não funcionava. E ao ligar na empresa fomos informados de que aquele plano não previa roaming e só funcionava mesmo em Portugal (anywhere, desde que seja em Portugal, piada pronta mesmo). Devo ser justo pelo menos com a atendente do balcão da TAP que foi muito solícita e ao verificar nossos dados descobriu que o pessoal da Azul em Campinas havia feito check-in mais uma vez para o voo da manhã que não chegaríamos a tempo. Ela conseguiu fazer nosso check-in no voo da tarde e graças a isto pudemos embarcar.


Chegando em Vienna, aí sim país de primeiro mundo. E, como da outra vez que fui lá, fria e cinza, mesmo que fosse verão. E ainda chovia. Pegamos um ônibus do aeroporto direto para a estação de trem Westbahnhof, que era bem ao lado do hostel Wombats The Lounge que reservamos. No caminho percebemos que todos os trams (espécie de bonde) públicos da cidade ostentavam bandeirinhas LGBT, em sinal de apoio e respeito ao amor em todas as suas formas. E, no hostel, reencontramos a querida Ana Good God e, é claro que não era a única brasileira. Já na primeira cidade, um brasileiro aleatório. Além de brasileiro, mineiro e cruzeirense! Essa primeira passagem por Vienna foi bem rápida. Fomos tomar uma cerveja no bar do hostel – muito bom por sinal – e chamaram nossa atenção (vergonha!) por ter levado uma catuaba pro casal de havaianos que conhecemos experimentar. Mas pensa: havaianos (que não usavam aquelas roupas do É o Tchan e nem dançavam ula ula) bebendo catuçaí na Áustria! Valeu o carão. Depois fomos comer um Schnitzel em um lugar bem peculiar que uns italianos jogavam jogos de tabuleiro. E, é claro, acabamos a primeira noite na balada. A mesma festa, em duas baladas diferentes na mesma rua e que você podia transitar entre uma e outra. Uma era uma espécie de Revista Viva feat. Alambique e a outra era tipo Fifty feat. Chalezinho. Nenhuma aceitava cartão e já gastamos uma boa quantia de euro em cash.


No dia seguinte partiríamos cedo para Budapest. Antes, um café da manhã em um quase típico café de Vienna, mas que era de italianos, e servia um bom croissant. Em seguida, a saga para pegar o trem. O trem para Budapest não passava na estação Westbahnhof conforme eu tinha visto no site DB. Tivemos que pegar o metrô e ir para a estação central, Houptbahnhof, onde finalmente embarcamos rumo à Budapest.

To be continued...

E a música de hoje é de todo dia. Porque a viagem foi tal qual um carnaval. Aliás, viver um eterno carnaval é uma forma mais leve de encarar a vida. Ressuscita! 

Pabllo Vittar - Todo Dia