Começamos com paradigmas, tabus ou chamem do que quiser. Aquela definição clássica de algo. Talvez a palavra rótulo também se encaixe por aqui. O que é praia pra você? Segue a definição do dicionário Michaelis:
"prai.a
sf (lat plaga) 1 Beira levemente inclinada de um oceano, mar, lago ou rio, coberta de areia, pedregulho ou fragmentos de rocha e banhada pelas marés ou pelas ondas. 2 Região banhada pelo mar; litoral. 3 Estância balneária à beira-mar. 4 Qualquer extensão do leito dos rios que forma coroas ou ilhas rasas, que ficam a descoberto quando as águas baixam muito."
sf (lat plaga) 1 Beira levemente inclinada de um oceano, mar, lago ou rio, coberta de areia, pedregulho ou fragmentos de rocha e banhada pelas marés ou pelas ondas. 2 Região banhada pelo mar; litoral. 3 Estância balneária à beira-mar. 4 Qualquer extensão do leito dos rios que forma coroas ou ilhas rasas, que ficam a descoberto quando as águas baixam muito."
Bom, a priori, pra mim, praia seria um lugar com mar (preferencialmente com ondas), areia, gente, vendedor ambulante gritando, aquele vuco-vuco todo! Mas vendo pela definição, até Minas tem praia então, uai! E aqui na Itália eu descobri as praias de pedra. É esquisito e confesso que não gostei muito. Não para nadar e curtir aquele sol deitado na areia (?) tomando aquela cerveja estúpida ou água de coco bem gelada (até porque não tem ambulantes, barraquinhas e muito menos cocos). Mas a beleza compensa a visita. E um mergulho refrescante continua sendo possível, embora um pouco mais perigoso nas pedras. Outra diferença fundamental, e esta me irritou bastante, é que as praias daqui são, em grande maioria, privadas. Você tem que pagar pelo guarda-sol e a mesa e consumir no quiosque que detém aquele pedaço. Você só pode colocar seu guarda-sol ou mesmo simplesmente deitar na areia sem pagar nas praias que são públicas. E são poucas. Mas bom, não vou me limitar a definir praias e lamentar coisas desagradáveis. A viagem em si merece muito mais destaque que tudo isto.
De uma idéia súbita e simples - "Vamos pra Napoli?" - a uma viagem improvisada e intensa. Um carro, cinco terras, cinco jovens, várias cidades, dois países (também a França né?) e incontáveis risadas! Partiram os rapazes de Torino rumo a Firenze. Sem passar por auto-estrada (para evitar pedágio e curtir a paisagem do "bel paese"), foram 12 horas até o destino final. Recorde e menção honrosa para Denis Giannelli. Uma Liguria linda e envolvente com aquele mar azul e aquelas focaccias deliciosas. Finalmente Firenze às 2 da manhã, sem GPS, 3G, bateria, dignidade, nada. Salvos pelo celular do Luan que não é um smartphone (bullying do bem) e não acaba bateria e uma Nathália mais perdida que filho de p&%$ em dia dos pais tentando ensinar o caminho até sua casa. Enfim casa, lasagne al zucchini e bons vinhos para relaxar.
Dia 2, dia de encarar mais estradas. Primeiro destino, a mágica e medieval Lucca e suas belas muralhas. Sem dúvidas um destino que vale a pena. O calor era tão grande quanto a beleza de Lucca, e a praia de Pisa parecia uma boa opção. Só parecia. Tudo bem que chegamos já um pouco tarde, mas ainda tinha sol e calor. Mas aquelas pedras, a cor da areia e, principalmente, da água, não eram nada convidativas para um mergulho. Tempo perdido. O que valeu em Pisa, na verdade, foi a conversa agradável dos brasileiros que estavam por lá, principalmente daquele piá do Alexandre que hospedou dois de nós e da Juliana que nos salvou aos 45 do segundo tempo conseguindo host para os outros três. Valeu, galera! Mas Pisa é maravilhosa também! Não é só a torre pendente como muitos dizem. A torre, que também é linda e vale conferir, é só um toque a mais para aquela cidade charmosa com um centro histórico muito aconchegante.
E no terceiro dia, o que mais esperávamos: Le Cinque Terre (As Cinco Terras). Famosa e prometida. E não é por menos. Deixamos o carro em La Spezia e compramos o passe de trem por 10 € que dá direito a pegar quantos trens quiser na região por 24 horas. E a cada uma das terras visitadas, uma reação nova diante de tantas maravilhas. A primeira, Riomaggiore, já nos deixou com aquela sensação de "não existe nada mais belo no universo". Depois, passamos por Monterosso que tinha a melhor praia delas e onde almocei uma focaccia al pesto digna de se ajoelhar pra comer. Em seguida fomos para o mais próximo de paraíso que se pode chegar: Vernazza. Uma mistura de Venezia (principalmente a ilha colorida de Burano) com um mar azul e transparente que nos fez rever a sensação de "não existe coisa mais bela" lá de Riomaggiore. Infelizmente o tempo era curto e tivemos que passar correndo por Corniglia que é belíssima, mas um pouco longe da estação. E por último passamos por outro cenário paradisíaco chamado Manarola. Semelhante a Vernazza, porém com suas particularidades. Depois de experimentar uma lasagne al pesto, era hora de seguir para Genova, onde dormiríamos. A Carole, CEEDer canadense/francesa da AIESEC de Firenze retornou para a cidade do Davi e o restante de nós seguiu viagem. Chegamos cansados, às 2 da manhã, mas ainda foi possível bater um bom papo com a Cristina e suas simpáticas coinquilinas antes de dormir.
No último dia não havia um destino certo. Alguns minutos vendo o mapa (daqueles de papel mesmo que nos salvou durante a viagem), pesquisando no google e conversando sobre as possibilidades. Nice? França? Será? No fim, pela distância e cansaço a decisão foi por uma praia italiana mesmo, mais próxima de Genova, mas já no caminho para Torino. Depois de percorrer mais da bela Via Aurelia, chegamos a Alassio, uma praia de areia mais extensa, porém a maior parte privada, como uma "boa" praia italiana. Pulando a parte do almoço estranho e desastroso, fomos curtir o sol, o mar azul e violão e música boa com nosso querido Luan Sant(ana)os. Não vou esquecer jamais de "Por Enquanto" naquela igrejinha e de "93 Million Miles" na areia da praia. Obrigado, brother! E São Pedro estava tão amigo que foi só decidirmos ir embora que começou a chover. E para ir embora, tínhamos duas opções mais viáveis: retornar até Genova e subir ou seguir até o fim da Aurelia e ser obrigados a passar pela França. Chato né? Pois é, classe média sofre muito. E fomos sofrer pelo belo, espetacular e não sei mais palavras para descrever sul da França. Destaque também para o posto de gasolina sem frentista, exceto a nossa Musa do Ipiranga Nathalia Bariane, onde você abastece primeiro e depois vai dentro da loja de conveniências para pagar. Sem segurança, sem controle, sem nada. Quando isso funcionaria no Brasil?
Mais estradas, mais Itália e chegamos a Torino. De madrugada, para não perder o costume. Cansados, obviamente, porém realizados. Não só pelas belezas da Itália (e também da agradável França), mas, principalmente, pela companhia. Não foi Napoli, mas foi "cuzamigue". E é aquilo que sempre digo, não importa onde, mas sim com quem.
E nas tradicionais músicas, hoje me atrevo a postar duas. Uma que embalou as viagens dentro do carro e foi hit sensação. Outra que marcou um momento inesquecível e tem tudo a ver com o que estamos sentindo.
Anitta - Show das Poderosas
Cassia Eller - Por Enquanto
