Um número redondo e absoluto. Muitos procuram números. Não importa qual e nem o que significam. Mas jamais são apenas números. Para um jogador de futebol pode ser o centésimo ou milésimo gol, para um empresário de sucesso pode ser o centésimo milhão de reais, para um solteirão na micareta pode ser a décima ou vigésima garota. Para mim, esse número 100 não é apenas a centésima cerveja, pois cada uma delas carrega consigo uma história.
Não posso dizer ao certo quando comecei a jornada. Aquela velha máxima de que a primeira a gente nunca esquece não vale para cerveja. Pelo menos não para mim. Mas provavelmente foi uma Skol (eeerrg) bicada no copo dos pais quando tinha lá uns 10 anos. E não acho que tenha feito uma cara e comentário diferente da maioria das crianças do tipo "Que horrível essa coisa amarga!". Na verdade, é o mesmo comentário que eu faço até hoje quando bebo Skol, porque né?
Então, passado o trauma da primeira cerveja (ou Skol), mais tarde veio a fase "beber pra enturmar e/ou ficar bêbado". Como bom virginopolitano que sou, iniciei na BOA e velha Antarctica. Até mudar para BH e ser obrigado a me acostumar com a Brahma. É aquilo né? Se não pode com eles, junte-se a eles. Mas vez ou outra eu convencia meus amigos a pagar um pouco mais caro e saborear a melhor cerveja do Brasil: Original. Original de quem? Antarctica. Além da Original, sempre foi possível variar também com a Serramalte (mais uma da Antarctica) e a velha, boa e floral Bohemia. Existiu também a fase de contenção de recursos que obrigava a beber Itaipava, Nova Skin e até mesmo Glacial (3 de 600 ml por 5 reais na empresa no Paquetá). Mas quer saber? Qualquer uma dessas é melhor que Skol, que custa até 3 vezes mais caro!
E não foram só as brasileiras. Também me apaixonei (e criei uma relação de ódio mortal) com algumas estrangeiras. Para começar, o meu amor maior: Stella. Conheci a Stella tarde, já aos 20 anos. Mas foi amor incondicional e a primeira vista. E ainda estamos apaixonados. Mas outra balançou meu coração: Hoegaarden. Tímida, porém irresistível com seu sabor leve de trigo. E assim, se completou o trio que faz meu coração bater mais forte: Original, Stella Artois e Hoegaarden. Uma brasileira e duas belgas. Para empatar o coração, na sequência uma outra brasileira que fará muitos apreciadores de cerveja desejarem minha morte lenta e sofrida: Antarctica! Sim, pra mim, ela é BOA!
Mas onde começou essa ideia louca de anotar e contar todas as cervejas? Blumenau, Oktoberfest, 2010. Foi quando descobri que cerveja não era só para chapar como se não houvesse amanhã. Cerveja também é para degustar e apreciar. E lá em Blumenau eu conheci a tradição alemã dos 4 ingredientes, assim como conheci a Eisenbahn, a Bierland, a Schornstein e muitas outras. E também conheci o processo de fabricação e os diversos tipos existentes (Pilsen, Ale, Weiss, etc). Daí a paixão e busca pelo sabor e pelo conhecimento.
E a história chegou a um capítulo muito belo em um lugar muito especial: o país das melhores cervejas e um dos pubs mais famosos do mundo. Bélgica, Bruxelas, Dellirium. Foi lá que, em meio a mais de 2 mil cervejas diferentes, eu experimentei a minha centésima. Ela já havia sido escolhida e recomendada. Famosa, cultuada, endeusada e superestimada. Deus. Não é ruim, nem tão boa. Os 32 euros (aproximadamente 84 reais) por uma garrafa valeram o momento, o capítulo. Mas no Brasil, provavelmente não pagaria R$ 200 para bebê-la novamente. Em termos de sabor, a que valeu a noite foi a Hoegaarden Grand Cru, minha 99. Mas já sabia. A Hoegaarden não decepcionaria.
A história continua! Depois da Deus, experimentei cervejas de manga, cereja, banana, e, é claro, puras de cevada, trigo e muitas outras. Continuo anotando e buscando novos rótulos e novos sabores. Não sei quando e nem onde chegarei a 200, 300, mil. Só sei que jamais deixarei de lado as minhas tradicionais queridinhas e que, onde quer que seja, a cerveja tem que estar gelada e a companhia tem que ser boa. Se o tira-gosto também for bom, melhor ainda. Em casa, no Bar da Branca, no Tácio, no Manoel, em Blumenau, em Munich, no Dellirium, onde for. A boa cerveja é aquela tomada em companhia boa. Como foi da minha primeira a minha centésima. E que espero que sejam todas as próximas.
Acho que já postei esse vídeo quando escrevi sobre a Oktober, mas ele é especial, pois marcou Blumenau, onde a paixão foi, de fato, despertada. E porque uma boa cerveja pode te levar ao céu, assim como um avião.
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