1.176 km. Esta é a distância que que viajei neste último final de semana (apenas a ida). É a distância de Belo Horizonte até Blumenau, que é quase que irrisória se comparada aos 13.552 km de distância entre BH e Omsk, na Rússia, onde fiquei um mês. Para chegar a Omsk, saí de Torino de ônibus até Milano, onde peguei um avião até Moscou, com conexão em Praga. De Moscou, peguei o trem Transiberiana, onde viajei por 43 horas até, finalmente, chegar a Omsk. Várias cidades, vários fusos, várias horas de espera... Com exceção dos vários fusos e guardadas as devidas proporções, ir para Blumenau não foi tão diferente.
Não é novidade pra ninguém que viajar no Brasil é caro. Ir de avião direto para Joinville ou Navegantes (os aeroportos mais próximos à Blumenau) é ainda mais caro. Uma alternativa: Curitiba. Como tenho amigos em Curitiba, aproveito para fazer um ligeiro "stopover". Foi assim em 2014 e neste ano. Saí de casa às 9h da manhã para pegar um voo para São Paulo no aeroporto de Confins. Depois de quase morrer do coração com uma turbulência e arremetida, cheguei em São Paulo, onde esperei por quase 4 horas até pegar o segundo voo para Curitiba. Nesse tempo, cometi o erro de almoçar uma Pizza Hut, o que me lembrou porque eu odeio Pizza Hut (ou Pão Hut, porque aquilo não é massa de pizza). Detalhe: uma fatia de pizza/pão e um chop: 44 golpes. Outro detalhe: os dois voos da LATAM (em BH e SP) atrasaram. Cheguei na casa do meu amigo em Curitiba já era noite. Pra relaxar, um vinho e a primeira maravilha gastronômica do passeio: a sempre boa comida da Márcia, mãe do Rafa e do Lucas. Uma balada Curitibana, uma cochilada e logo cedo o ônibus pra Blumenau.
É claro que todos aproveitaram a viagem para dormir. Exceto eu. Como sempre, não consigo dormir em transportes (carro, avião, etc.) - exceto quando tomo umas porque né? Quatro horas de viagem. Quatro horas lendo meu Dexter, ouvindo música, conversando no zap zap, pensando na morte da bezerra... Enfim, Blumenau. E aí a segunda maravilha gastronômica do passeio: comida típica alemã. Sempre vejo reações de espanto quando digo que a cozinha alemã é uma das minhas três preferidas - as outras são a mineira e a italiana, é claro. Faltariam-me palavras para explicar diante do buffet típico do restaurante Moinho do Vale, com muito chucrute, salsichas diversas, marreco recheado, pato e o meu querido eisbein (joelho de porco). Além da cerveja artesanal e fiel à lei da pureza para acompanhar. Barriga cheia, mais cerveja, desfile maravilhoso e... Nada de dormir. Mas pra que dormir? É tão perda de tempo, ainda mais com uma Vila Germânica lotada de fritz e fridas (especialmente os meus Burrões mais queridos) e com a Banda Cavalinho tocando. Sem contar a quarta maravilha gastronômica: cervejas artesanais locais e mais comida alemã. Espetinhos de salsichas e a famosa batata recheada daí!
Após mais um cochilo rápido, outro ônibus, o da volta pra Curitiba. Mais 4 horas de luta contra e a favor do sono. Em Curitiba, um almoço rápido no Madero e a quarta maravilha gastronômica. Uma caneca de chop congelada e um hambúrguer (hambúrguer! Não lanche!!!) com quase 400 gr de carne mal passada e 37 fatias de bacon. Do Madero, praticamente direto para o aeroporto. Mais uma espera até o voo da Avianca, este pontual. Um outro quase infarto ouvindo o jogo do Cruzeiro x Vitória com penalti no fim, o streaming falhando na hora da cobrança e a aeromoça mandando desligar os celulares para decolar. Mas não infartei, não derrubei o avião e o Cruzeiro não tomou gol. De Curitiba a São Paulo, o avião mal tem tempo de subir e já tem que descer. E foi um pouso incrível, que depois meu amigo especialista no assunto Flavão explicou que é chamado "pouso manteiga" e não é seguro e nem recomendado. Mas tudo certo em Guarulhos, de onde fui direto para a minha quinta e última maravilha gastronômica do final de semana: a pizza veramente italiana da Pizzaria Leggera Pizza Napotelana, em São Paulo. Melhor pizza que comi fora da Itália e, inclusive, melhor que algumas que comi lá. E além do sabor incrível, é barato! Apenas 35 golpes uma pizza maravilhosa inteira só pra você.
Depois da pizza, mais um breve cochilo em São Paulo, de onde saí na segunda-feira às 7h da manhã rumo à BH. E de BH, pra Betim trabalhar. Afinal, chi lavora, mangia. Tudo isso aconteceu em um final de semana. Pode ser cansativo (e é!), mas é gratificante e revigorante. Esses momentos de lazer, especialmente reencontrando amigos, me motivam e tornam a vida mais leve. E, enquanto eu tiver energia e condições, eu vou. Por que a vida é muito mais interessante no modo go.
E a música de hoje reflete bem este sentimento. É da Banda Cavalinho, de Blumenau, minha preferida da Oktoberfest. Tem festa? Me chama que eu vou!
Banda Cavalinho - Tendo festa eu vou
