quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Mi sento a casa



Em casa. Eh a resposta que devo dar a qualquer um que me perguntar "Como voce esta?". A expressao "em casa" traduz de forma simples como estou, como me sinto. Apos longos quase 5 meses na Italia, que, ao mesmo tempo que passaram "voando", parecem ter sido uma eternidade, posso dizer que estou adaptado e feliz. Muito feliz. 

De inicio, embora visse muito de Brasil na Italia, sentia falta de varias coisas e nao me acostumava a outras. O famoso "choque cultural". Alguns passam por ele de forma rapida e facil e outros levam um maior e consideravel tempo. Existem tambem os que nem o sentem, assim como existem quem o carrega por todo o intercambio. Pra mim passou. Ja vivi o suficiente para dizer que hoje amo a Italia mais que poderia imaginar.

A começar pela culinaria que dispensa comentarios! Mas é bom reforçar o valor da pasta italiana, dos molhos, da pizza, do chocolate, do sorvete! O sorvete! Um simples tomate consegue ser muito melhor na Italia. Uma massa de pizza pura, sem nada, te faz ir ao ceu ao saborear. Claro que existem coisas que sao melhores no Brasil como, por exemplo, carne. Mas aqui voce pode encontrar uma boa picanha e prepara-la a seu gosto. Nao acostumei ainda, e creio que nao o farei, ao cafe da manha italiano. Nao consigo comer so coisas doces de manha cedo. Preciso do pao, do queijo, da fruta. Mas ate no cafe ja mudei algo: bebe-lo puro, sem açucar, sem adoçante, sem nada. Eh como comer a pizza sem ketchup. O cafe italiano é tao bom que dispensa acrescimos, assim como a pizza. Chega a ser heresia nao saborea-los com exclusividade.

Uma curiosidade: antes de vim para a Italia, eu nao gostava de vinho e nao sabia saborear bons e diferentes queijos. Era conhecido como o cara da cerveja e do tira-gosto. Talvez tivesse me dado melhor na Alemanha ou Belgica entao, ne? So que nao! Quanto tempo perdi (e dinheiro economizei) nao saboreando vinhos e queijos no Brasil? Eh quase impossivel pensar em comer uma pasta sem um vinho para acompanhar. Aquele jantar com queijos na entrada, uma boa pasta a carbonara e sempre o vinho. Bom vinho italiano a menos de 2 € o litro (menos que R$ 5!). O que dizer de fazer pré para festas se embebedando com vinhos italianos? E sair na rua com uma garrafa bebendo no bico? Que vida!

Nem o clima é mais um problema. Acho que sinto menos frio que os outros, inclusive os proprios italianos. Cheguei a chamar a atençao de muitos que me viam fazendo Snowboard ou patinando no gelo sem um casaco ou malha sequer. E acho que Torino se aqueceu um pouco com a invasao de brasileiros. Transferencia de calor! Dizem que temos muito né? Ou entao esta de pirraça e nao quer nos "presentar" com a neve. Nevou apenas duas vezes. Mas ja ouvi dizer que é melhor assim. Neve é boa para ver e se divertir, nao para conviver.

Alem de tudo, tem o belo idioma italiano. Como é bom poder entender tudo que falam e tambem falar, ainda que com muitos erros. De repente, sem me dar conta de quando, ja estava tendo dialogos em italiano sem precisar falar uma palavra sequer em ingles. Parece magica. Assim como solto, magicamente, palavras em italiano no meio de dialogos em ingles. Mas voce se sente muito melhor e mais a vontade em um lugar em que fala a mesma lingua de todos! E quando digo mesma lingua, nao é so o idioma, mas tambem as expressoes, a cultura, o modo de viver e se comunicar.

Enfim, acostumado à cidade, à cultura, às pessoas, ao clima, ao idioma, à alimentaçao e a tudo mais peculiar a este belo pais. Mais que acostumado. Apaixonado. Muitos diriam "I feel like home", mas eu digo apenas "Mi sento a casa".

Ps: Nao se preocupe, mae. Eu volto! Hahahahaha

E o video de hoje é uma musica especial. Foram as primeiras palavras que aprendi a pronunciar em italiano, ainda sem saber o que significavam a maioria delas. Imbranato, que significa desajeitado. E assim, desajeitado e ajeitando, se vive o melhor da vida.




sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dublin: sem sol e sem sal



Famosa, cultuada e venerada. Esse país místico que todos querem conhecer. Talvez seja resultado do tamanho nacionalismo que cultivam. Fazem do país uma marca desejada. Todos querem a Irlanda, ou pelo menos um pedaço dela. E explorando isso, é fácil encontrar lojas Carrol's, rede de souvenires irlandeses, por toda a cidade de Dublin. E tem tudo o que voce imaginar com a bandeira e cores do país. O nacionalismo é tanto que chega a ultrapassar limites da tolerância e se tornar xenofobia.

Em uma cidade tomada (e movimentada) por estrangeiros, principalmente brasileiros que existem mais em Dublin que em Virginópolis, por exemplo, é comum atos de xenofobia por parte de um grupo sustentado pelo governo chamado de knackers. E o pior é que ninguém se indigna. Os filhos adolescentes vestidos sempre iguais, de moleton e tenis adidas combinando cores, andando em bandos como uma tropa insultam estrangeiros com gestos e palavras que não vale a pena descrever. A questão dos knackers transcede a xenofobia e atingem até a cidania, uma vez que esses grupos de adolescentes também saem pelas ruas fazendo baderna e destruindo o patrimônio público para assustar e chamar atenção.

Voltando aos brasileiros, é impressionante a quantidade em Dublin. Eu já não me surpreendia mais quando ouvia português nas ruas. Aliás, você fica surpreso ao ouviu inglês! E em quase todos os estabelecimentos comerciais é possível ser atendido em português por um funcionário brasileiro. Essa invasão brasuca pode ser creditada à facilidade de se conseguir visto para estudo de língua inglesa e trabalho na Irlanda. Mas pelo que vi, trabalho não tem sido algo fácil de se conseguir atualmente.

Falando no idioma, que inglês indecifrável é esse do irlandês? Além de se ter o sotaque britânico horrível, parece que todos tem uma batata na boca. Acho que aprendi a valorizar mais o inglês puro dos italiano! Haha. Itália lembra comida! Coisa que, definitivamente, não é o forte na Irlanda. Além de o prato típico ser um simples peixe frito com batata frita, toda a alimentação é baseada em fast-food. Como tem fast food pela cidade! Voce não consegue andar 10 minutos sem ver pelo menos três Mc Donalds e três Burger Kings. Fora as pizzarias, os restaurantes mexicanos, chineses, etc. Ah! Tem o famoso e "saudável" café da manhã irlandês também. Um leve prato com ovos, bacon, bolinho de feijão, salsicha, pão com manteiga e batata.

Ai perguntam: mas nao ha nada de bom? E os pubs e as cervejas? Sim, ha muitos pubs e boas cervejas na Irlanda. Mas ainda assim a maioria insiste em beber as tradicionais Heineken, Stella Artois e Budweiser. E se paga mais caro que em outros lugares como Italia, por exemplo. Nem a famosa e venerada Guinness é tao consumida quanto as tradicionais loiras. Quanto aos pubs, sao na maioria bem caros (cheguei a pagar 6 euros por 500 ml de cerveja). E em um pais que cultua tanto a cerveja, nao se pode beber pelas ruas, muito menos ja chegar bebado ou, pelo menos, "altinho" nas baladas. Te barram na porta por causa de alcool, roupa, etnia, etc. E voce tem sempre que chegar cedo, pois tudo acaba as 3h da manha.

Bom, nem vou falar da chuva de todos os dias, da escassez de sol, dos nativos feios e esquisitos, etc. Vou parar por aqui para nao me delongar muito e preservar amizade com amigos apaixonados por Dublin e pela Irlanda. Me desculpem, sei que talvez nao tenha conhecido o melhor do pais. Talvez a Irlanda seja muito mais que esta cidade sem identificaçao que é Dublin. Mas estou julgando pela experiencia que tive. Foi uma boa viagem pela companhia, mas nao pelo local. Como eu gosto de dizer, nao importa onde, mas sim com quem. E por isso eu volto em março a Dublin, mas pelos amigos, nao pela cidade.

Ps: Uma das coisas mais legais (e diferentes) que vi em Dublin foi uma sessao de musicas irlandesas. Um senhor com vilao e, provavelmente, sua filha com violino. E o video de hoje é a musica mais famosa da irlanda: Galway Girl!