quarta-feira, 20 de março de 2013

Por você, Dublin.



Todo mundo merece uma segunda chance. Aquilo de que a primeira impressão é a que fica não vale pra mim. E olha que sou conservador e levo fama de inflexível, para não dizer cabeça dura. Mas há quem e o que me dobre. E Dublin me dobrou. A Irlanda me dobrou.

Depois de receber duras criticas por escrever "mal" de Dublin (e reconhecer que peguei pesado), voltei à cidade com o coração aberto, sem pré (ou pós) conceitos. Na expectativa do famoso St. Patrick Festival e de reencontrar grandes amigos, encarei mais uma cansativa viagem low coast da famosa Ryanair. E valeu a pena. Quando cheguei, a cidade estava ainda um pouco tímida, mas o verde já começava a aparecer. E aos poucos, a capital irlandesa foi ficando completamente pintada. Verde de St. Patrick. Verde da Irlanda. E verde do Brasil. Nisso não mudei de opinião. Muito pelo contrário, fiquei mais impressionado ainda. Como tem brasileiro! E parece que vão de multiplicando (ou reproduzindo) em progressão geométrica! Mas isto é até bom. Brasileiros são sempre animados e você se sente em casa, além de poder almoçar strogonoff e assistir a um "bloco de carnaval" brasileiro desfilando pelas ruas de Dublin ao som de "We are carnaval".

Mas desta vez o passeio não foi restrito a Dublin. Tivemos a feliz idéia de fazer um tour pelo interior da Irlanda. Wicklow! Ah Wicklow. O caminho já era maravilhoso, com pastos planos e verdes preenchidos por vacas malhadas ou ovelhas brancas. Uma verdade é que, por vezes, me sentia na Serra do Cipó, indo para minha querida Virginópolis. A paisagem é muito parecida. E antes que critiquem a comparação, eu acho que é tão bonito quanto. Não é porque é de fora que é melhor que o nosso. Exploramos e valorizamos mal o Brasil. Vendemos filmes de favela e violência como Tropa de Elite, ao invés de vender um filme de romance na Serra do Cipó, como fizeram com Wicklow, por exemplo. Cenário hipnotizador do filme "PS. I Love You". Não há como descrever e nem mesmo fotos bastam. Você tem que estar lá. Tem que sentir a harmonia da natureza, se maravilhar com o incrível lago e admirar até mesmo o fantástico cemitério que existe junto a um antigo monastério. E olha que não tivemos tempo para visitar tudo. Uma pena. Mas é certeza que volto lá. E você deveria ir.

Desta vez, apenas uma coisa ruim: O St. Patrick Festival em si. Não deveria ser chamado de festival. É como um "engana turista". A festa mesmo é apenas no dia de St. Patrick que, neste caso foi domingo. Mas como a passagem para retornar na segunda-feira era em torno de 4 vezes mais cara, todo mundo comprou a volta para domingo. E perdemos a festa. Claro que sentimos um pouco do clima e daquela atmosfera verde. Desde o primeiro dia já se viam manifestações culturais e se via uma Dublin mais irlandesa como não tinha visto antes. No sábado as ruas já estavam tomadas e os pubs lotados. Mas nada deve ser como o famoso St. Patrick Day. Ficou a vontade. E a sensação de que eles poderiam explorar mais a data e fazer, de fato, um festival de mais dias, como um carnaval mesmo. Mas é cultural. Uma pena.

Outro ponto em que não posso deixar de me retratar é com relação aos irlandeses. Dessa vez tive mais oportunidade (e necessidade) de dialogar com eles e a impressão foi a melhor possível. Sempre educados, simpáticos e solícitos. Obviamente ainda presenciei alguns daqueles que descrevi no outro texto praticando atos de violência e vandalismo. Mas no geral, a experiência com os irlandeses foi muito positiva. Nem do clima vou reclamar desta vez. Embora tenha sofrido com o frio, Dublin tratou de agradar a gregos e troianos. Em menos de uma hora chegou a fazer frio, calor, chover granizo, nevar e, depois, até o sol apareceu. Sim! Até o sol! Talvez ele estivesse convidando para um retorno breve. Quem sabe? Quero voltar. Não sei quando. Mas sinto que nos veremos novamente, Dublin. Desta vez, pelas pessoas, pela Irlanda, e por você. Sim, por você, Dublin!

Ps: Gostaria de agradecer muito a Bianca, Ruhana, Isabella e Julia pela hospedagem e também agradável companhia. E também não poderia deixar de falar dos grandes amigos que fizeram desta viagem inesquecível. Foi um enorme prazer estar com vocês, Tatá, Caio, Leo, Júlia La, Júlia Lu, Yan e Kanazawa.

E hoje posto essa linda música "Love till the end" do filme "PS. I Love You" que teve boa parte gravado nas montanhas de Wicklow que visitei e marcou demais este passeio. Lugar que todos devem visitar antes do fim!



Nenhum comentário:

Postar um comentário