quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Rússia, Europa e um continente a sua escolha



Sibéria. Só de ouvir esse nome já dá calafrios. E bota frio nisso! 12° em pleno verão! Sempre pensei que Sibéria fosse uma região inabitada do planeta onde só existia neve e urso polar. E Omsk? Achava que só existia no WAR, perto da Tchita. E, por ironia do destino (ou não), cá estou, em Omsk, na Sibéria, na Rússia, na Ásia.

A aventura começou na parte européia do país. Moscou. E ir do aeroporto para o hostel já foi uma aventura. Consegui com minhas anotações em cirílico (sim! Desenhei aqueles símbolos que eles chamam de letra) e a ajuda do meu querido iPhone (o melhor amigo dos viajantes). Fui pedindo informação e mostrando minhas anotações (porque não sabia pronunciar uma vírgula do que estava escrito ou desenhado) às poucas pessoas que encontrei que falavam inglês (ou meio inglês, mesmo nos pontos de informação turística). A parte boa foi que já pude perceber o quanto os russos são amigáveis e solícitos. Foi uma surpresa muito boa. E depois de pegar um trem e dois metrôs (sempre me maravilhando com as belas estações de metrô de Moscou), cheguei, enfim, ao hostel. Ou caverna, ou cabana, ou chame do que quiser aquilo.

Pelo menos foram apenas 3 dias até nos mudarmos para o hostel onde estavam todos os intercambistas da AIESEC. E para encontrar o mesmo em um dos diversos becos esquisitos de Moscou, pedimos ajuda a uns russos malucos que estavam na rua.  No fim, fomos convidados a ir a um bar e foi super divertido. Fizemos várias amizades, embora só um deles falasse inglês. Esse é um ponto interessante. Você sabe que os russos são legais mesmo que não entenda uma palavra do que falam. E eles começam a falar mais alto como se o problema fosse a sua audição, e não o idioma. Eu já desisti de perguntar se falam inglês quando chego nos lugares aqui. Já chego gesticulando e mostrando as coisas.

De Moscou a gente veio pra Omsk no famoso trem Transiberiana. Conseguem imaginar 40 horas sem banho na terceira (e desconfortável) classe de um trem onde a cada momento chegava uma pessoa mais fedida que a outra e ainda fechavam todas as janelas? Pois é. Só com cerveja pra aguentar. Mas só tinha cerveja quente. Sim! Eles bebem cerveja quente! No inverno, na Itália, eu bebia cerveja a temperatura ambiente que era em torno de 0°. Ok! Mas cerveja a temperatura ambiente de 20° ? Não ok!

Mas enfim Omsk. Parte asiática da Rússia. As diferenças são bem grandes se comparada a Moscou. Principalmente na questão econômica. Já se vê pelos carros que em Moscou são só de luxo (talvez a cidade que visitei onde vi mais carros caros) e em Omsk só lata velha. Luciano Huck ia fazer a festa aqui! A infraestrutura da cidade também é bem precária. Calçamento, calçadas, iluminação, etc. Acreditem se quiser, mas o Brasil está bem a frente nesse ponto, até mesmo em cidades pequenas do interior. Outro ponto em que o Brasil está a frente (pasmem!) é no transporte coletivo. A situação dos ônibus aqui é digna de dó e eles ainda tem os famosos perueiros com aquelas vans velhas e sem segurança nenhuma. Bom, estou comparando Omsk (1,5 milhões de habitantes) com Beagá (2,5 milhões). Mas pelo menos o custo de vida em Omsk é infinitamente menor que o de Moscou. Moscou é absurdamente cara. Já Omsk é bem barata. A passagem de ônibus, por exemplo, custa 16 rubles (que seria aproximadamente 0,40 € e R$ 1,20).

No geral, a experiência tem sido muito interessante. Morar em uma casa com 20 pessoas de 11 países diferentes tem sido estressante, desafiador, mas ao mesmo tempo  enriquecedor. Brasil, Itália, Índia, China, Turquia, Egito, Indonésia, Vietnã, Lituânia, Polônia e Hungria. Estou quebrando estereótipos e descobrindo coisas novas (boas e ruins) sobre cada país. E estou descobrindo mais coisas sobre o próprio Brasil e os brasileiros também. Sem sombra de dúvidas somos o povo mais limpo e higiênico que já conheci. E essa imagem de festa e alegria nossa também não é de graça. Somos mesmo contagiantes e queridos. E, especialmente aqui em Omsk, eles tem um fascínio muito grande com o Brasil e os brasileiros. Fui muito bem recebido e tenho sido muito bem tratado por todos.

Enfim, começou outro dia e já está acabando. Mas, como em tudo na AIESEC, o tempo é relativo. E essa pequena experiência em tempo, tem sido gigante em crescimento. Com certeza veio para complementar bem tudo que já vivi de novo neste último ano na Itália. Acho que sim, posso me considerar um cidadão do mundo. E cada dia eu acredito mais que o mundo é tão pequeno e você é tão grande quanto você queira e faça. E o novo é fascinante. Não existe hora para experimentar. A melhor hora para viver é agora.

E o vídeo de hoje é uma música que tem tocado muito aqui e tem marcado essa experiência, até porque o momento de viver essas aventuras é agora, pois, esta noite, nós somos jovens. 

fun. - We are young