quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Em busca da Pizza de Pepperoni perfeita



Essa semana completam-se dois meses que estou na Italia. E nesses dois meses ainda nao encontrei minha Pizza de Pepperoni perfeita. Tragedia! Isso me consome! Busco desesperadamente a cada pizzaria nova que vejo! Como pizzas e mais pizzas e nada! So engordo, obviamente. Como posso viver sem aquela tradicional e incomparavel pizza de pepperoni brasileira? 

A jornada começou logo na primeira semana, na primeira pizza. "Vorrei una pizza di peperoni, per favore!" E quando chegou a pizza... Mas que? Eu peço pizza de pepperoni e me trazem pimentoes? Sim! Em italiano, peperoni é pimentao. Entao pense em uma pizza apenas com pimentoes e muçarela. Foi a primeira de muitas decepçoes que viriam, mas com certeza foi a maior. Quando descobri que o verdadeiro pepperoni é chamado de "salsichia picante" e que a pizza de "salsichia picante" era chamada de Diavola, comecei a degustaçao de Diavolas. Foram muitas tentativas, mas em nenhuma delas, a pepperoni perfeita. Ou as fatias de pepperoni eram muito grossas, ou pequenas, ou a cor era diferente, e principalmente o proprio sabor.

Mas espera. Nao estou no Brasil, entao porque procurar algo igual ao que é no Brasil? Nao falo so da pizza. A pizza é apenas um exemplo de tantas outras coisas que procuro igual, sem sequer tentar aceitar o jeito italiano ou estar aberto as diferenças. Faço isso com comida, festas, pessoas... E isso nao faz bem. Porque nao aceitar a Pizza Diavola como a Pizza de Pepperoni perfeita para mim naquele momento? Nao devo para de buscar e acreditar nas coisas. Nao é isso! Nao confunda esperança com expectativa.

A esperança jamais pode ser perdida. Ja a expectativa é a mae da decepçao. Nao espere que a comida italiana seja igual a brasileira ou que as pessoas pensem igual a voce ou que toque suas musicas preferidas na balada. Apenas curta o que for de melhor pra voce no momento. Aquela frase cliche tipica: "Voce pode nao ter tudo que gosta, mas aprenda a gostar de tudo que tem". E no final, nao vale a pena ficar sofrendo e procurando algo sem ao menos se dar a chance de experimentar e aceitar o novo, o disponivel. E tudo isso me faz lembrar umas palavras que minha primeira coordenadora da AIESEC, Tofinha, disse em uma reuniao. Gostaria entao de cita-las para finalizar o texto.

Os 5 A's

Aceitar: nao é sentar na cadeira e esperar com conformismo, é se permitir viver aquilo que esta vivendo sem tentar nao viver aquilo. Eh encarar sem querer desesperadamente fugir.
Abraçar: é acolher de todo coraçao.
Assumir: isso é meu, é para mim e esta acontecendo.
Agradecer: a gratidao pode ser demonstrada com sua serenidade e alegria.
Amar: do dicionario "se dedicar de corpo e alma a algo ou alguem".

Finalizando com o tradicional video, hoje vai uma linda musica do Pato Fu que aprendi a ouvir com meu companheiro Flavio, sempre tomando um bom vinho.




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

La botte piena o la donna ubriaca



A garrafa cheia ou a mulher bebada. Um famoso e sabio ditado italiano que nos remete a uma reflexao: escolhas. Nao é facil tomar decisoes e cada escolha é uma reununcia. E é inerente ao ser humano o desejo de ter tudo, de nao abdicar a nada. Mas existem momentos, onde a inercia é pior e voce deve se decidir. Eu escolhi o intercambio. E ao que renunciei? Muitas coisas.

A começar por familia e amigos. Obviamente sabia que faria novos amigos, como ja fiz. Tive ate a boa surpresa de criar uma especie de "familia" na casa que moro com meus dois grandes companheiros Flavio e Rafael. E amigos ja fiz grandes e bons, brasileiros e italianos. Mas ninguem substitui ninguem. Cada pessoa que deixei no Brasil é especial de alguma forma e me faz falta. No entanto, tenho a certeza que estarao la pra me receber quando eu chegar. Isso conforta a saudade: saber que o intercambio é passageiro, mas os laços e sentimentos nao.

A segunda renuncia, essa das maiores, pois sentia que era o meu momento, foi deixar a AIESEC BH. Queria continuar crescendo la e me postular para fazer parte do grande time que esta se formando para a diretoria do proximo ano. Essa renuncia doeu e ainda doi. Tento preencher com o escritorio da AIESEC de Torino. Obviamente nao é a mesma coisa, mas ainda posso crescer aqui tambem e sei que voltarei para a AIESEC BH. Meu tempo ainda nao acabou!

A terceira renuncia foi o trabalho da Axxiom. Nao foi facil deixar aquele time fantastico em que eu estava inserido. E fazendo um trabalho que gosto. Sentia que tambem poderia crescer la. Mas sei que deixei portas abertas e quem sabe um dia nao volto? Nao podemos pilotar a tal astronave chamada futuro.

E a ultima renuncia foi ao proprio Brasil. Clima, comidas, costumes, festas, futebol, etc. Aos poucos vou achando algum Brasil aqui. Mas nada é com a alegria caracteristica brasileira. Mais que conhecer e aprender amar outros paises, no intercambio voce aprende a amar e conhecer o Brasil. Sentir falta de pequenas coisas como requeijao cremoso, ralo no banheiro, chuveiro bom, etc. Coisas que voce nao da valor no seu dia a dia mas que fazem uma diferença enorme. Em contra-partida a isso tudo, estou conhecendo uma cultura nova e ganhando experiencia. Sei que sera de enorme valia para minha vida.

Enfim, entre renuncias e saudades, eu vou aprendendo a me virar. O proprosito maior do intercambio é o crescimento pessoal. Em 1 mes e meio aqui, ja aprendi coisas que nao aprenderia em 1 ano no Brasil, ja passei por situaçoes que nao ocorrem com intervalos minimos de 10 anos (se ocorrem), e cresci! E continuo crescendo. Momentos de saudade e melancolia sao importantes para amadurecer a alma. Os dias ruins existem para que os bons valham a pena. Ainda faltam 8 meses e vou vive-los da melhor e mais intensa forma que eu puder! Porque sei que isso tudo tem prazo de validade. E que depois, provavelmente, sentirei falta. E espero que sim, pois a saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena.

Para finalizar, algumas palavras que minha mae me disse hoje e uma musica. Falando em escolha, eu poderia escolher neste momento viver a saudade ouvindo "Tudo Outra Vez" do Belchior, ou levantar e seguir em frente pra curtir com Lulu Santos e "Tempos Modernos". Eu escolho me permitir e viver tudo que ha pra viver! Renuncio a saudade!

"Esse é o sentido da vida: amar e ser amado. Caso contrario, nao valeria a pena passar por ela. A saudade faz parte e sempre acontecem coisas que nos fazem sentir que vale a pena viver." 
PEREIRA, Lessandra.

Ps: Sobre a foto de hoje, é especial. Hoje é uma data especial. Faz um ano que fiz meu speech na AIESEC BH, onde me tornei oficialmente membro da organizaçao junto a tantos (futuros) amigos. Foi o dia em que minha vida começou a mudar completamente. Obrigado AIESEC BH!