quinta-feira, 12 de julho de 2012

Entre Pontos e Pontas



Eu sempre discuto sobre dormir e sonhar. Ontem mesmo tive uma dessas discussões, onde eu defendo que dormir é perda de tempo e que, enquanto você dorme, sonha com uma realidade paralela que não é a sua. Mas existe outro tipo de sonho. É o sonho vontade, o sonho objetivo. E este sonho, você corre atrás dele acordado. Acordado e atento para as oportunidades que passam pela sua vida. Acredito em destino. Mas não em um destino pronto, inflexível e inevitável. Acredito que a vida tem algo pra você, mas que chega como que fantasiado, distante, e que, se você não enxergar e correr atrás, acaba passando despercebido. E foi assim, acreditando em destino e agarrando oportunidades, que cheguei até aqui, para escrever esse blog sobre um sonho prestes a ser realizado: o intercâmbio na Itália.

Gosto de ligar pontos e é por onde vou começar. Um ponto lá atrás, jogando o saudoso CM 01/02 (Sim! Jogando Championship Manager), onde, pela “sorte” do jogo, fui convidado para treinar a Roma depois de uma boa campanha pelo Cruzeiro. Ali eu conheci o futebol italiano, me apaixonei pela Roma e me tornei fã de Francesco Totti. Este ponto me atentou para outro, já existente, mas que eu não considerava: uma tia professora de língua italiana. Ainda com apenas uma ponta de interesse, passei a prestar atenção nas suas aulas quando ia à sua casa, e ficar repetindo sozinho a pronúncia bonita daquelas palavras.

Aqui outro ponto, ainda meio desconexo dos anteriores, mas que se conectará em momento apropriado: o CEFET-MG. Ele começou em uma infelicidade: morava em Virginópolis e fiquei sem transporte para a escola que estudava em Guanhães. Isso me obrigou a mudar de escola e, nessa escola, foi que conheci o CEFET-MG, pra onde iria mais tarde fazer curso técnico de Informática Industrial. E do ensino técnico, acabei indo também para o superior fazer Engenharia de Computação. Aqui pausa para um ponto marcante: a inscrição perdida para o vestibular da UFMG. Talvez eu tivesse passado lá e não teria continuado no CEFET. Mas eu não trocaria as oportunidades que tive (e continuo tendo) nessa instituição por nada.

Hora de ligar pontos. Aquela tia que dava aulas de italiano foi morar próximo ao CEFET. Aproveitei a oportunidade e comecei um curso de italiano, pensando, naquele momento, apenas em realização pessoal. Mesmo sabendo que deveria investir no meu inglês e até concordando com quem dizia que língua italiana não seria útil para minha carreira profissional. Só que não! O básico que aprendi de italiano me encorajou a participar do processo seletivo para o programa Ciência sem Fronteiras. Digo que entrei sem esperanças, pois sabia muito pouco do idioma e imaginava que meu histórico escolar não era suficiente para concorrer com o Brasil inteiro. Mentira! Se você entra em algo, tem esperança, ainda que pequena, mas tem! E o que era uma ponta de esperança, virou realidade.

Entre pontos e pontas, estou prestes a realizar um grande sonho. Cada etapa, por mais burocrática e cansativa que seja, é uma renovação de energia e como um “tapa na cara” do tipo “Isso é real!”. Em vários momentos pensei em desistir. Pensei em desistir do curso técnico, do curso superior e também do processo seletivo do programa de intercâmbio. E, em todas as vezes, o pensamento era consequência da sensação de incapacidade. Mas se eu desistisse, a linha seria quebrada, os pontos não teriam mais ligação e a sequência seria interrompida. E, afinal, essa é a vida: são pontos que se conectam, guiados pelo destino, motivados por sonhos e realizados por atitude.