sábado, 13 de setembro de 2014

Capítulo II: I love Serbia, I do!




Não vou me ater aos detalhes das viagens para Berlin e Estocolmo que precederam a aguardada conferência. Apenas um ponto: o desespero de quase perder um voo. Levantamos as 2 da manhã e fomos para a estação de metrô que, segundo informações, deveria estar aberta. Ao vê-la fechada, fomos pra rua no desespero e encontramos um ponto de ônibus com um inglês esperando para ir ao mesmo lugar que iríamos. E no final deu tudo certo. Apenas um susto de viajante inexperiente.

Então vamos direto pra Milão, onde pousamos às 9:26 da manhã. Tinha ônibus para o centro às 9:30 e depois só as 10h. Pensa em alguém correndo aeroporto afora? E pensa na alegria desse alguém ao ser o penúltimo passageiro a embarcar antes do õnibus lotar as 9:34? Por volta de 10:50 eu já estava, de fato, em Milão com chuva, procurando uma forma de chegar ao consulado. Com a ajuda de amigos, principalmente do Ricky, e do santo google maps do mais santo ainda iphone, consegui chegar ao consulado às 11:35. O mesmo fecharia às 12h. Pedido de visto feito, almoço no padroeiro dos estudantes sem dinheiro, Mc Donalds, 63 euros saindo do bolso e visto na mão às 14h.

Meu voo para Budapeste saíria na manhã seguinte. Então, graças a Julia de Pisa que hospedei em Torino, consegui um lugar pra passar a noite. Obrigado especial a Manuela que me recebeu tão bem. Aqui uma dica: sempre que puder receba alguém na sua casa. Você também precisará um dia e é uma economia que faz diferença, além, é claro, de conhecer pessoas maravilhosas. Então, eu iria pra casa da Manuela, mas só depois das 21h. O que fazer, com chuva e mala, até lá? Então o Denis, que merece ser canonizado por isso, dá a dica do açaí de Milão! Perfeito! Passei a tarde lá trocando idéia com o dono italiano sobre frutas brasileiras. Tomei açaí, suco de maracujá, carreguei meu iphone e ainda ganhei pão de queijo!

De Milão a Budapeste foi bem tranquilo. Cheguei cedo na Hungria, peguei um ônibus e um metrô e cheguei na estação de trem. Nesse percurso senti já duas grandes diferença da parte oeste da Europa: baixo custo de vida e (não) modernidade de coisas como transporte. Outra diferença eu sentiria com o tempo: pessoas. E almoçando perto da estação e conversando com um egípcio, ele definiu bem essa diferença em uma palavra como nunca vou esquecer: vida. No leste há mais vida. Mais vida nas pessoas.

E já no trem, com meu companheiro Hagrid Húngaro, a viagem foi bem tranquila. Ponto de atençao: na fronteira eles realmente são bem rígidos na Sérvia. Conferiram e carimbaram meu passaporte duas vezes. E foi no trem, que me toquei sobre uma questão importante. O que faria quando chegasse a Belgrado? Fiquei tão preocupado com as outras questões que não pensei em coisas óbvias como esta. No desespero recorri ao meu amigo Luan por sms que foi um herói ao me enviar dois números de telefone que estavam no boocklet da conferência.

E enfim, depois de 8 horas de viagem de trem, Belgrado! E aí, um dos momentos de maior desespero. Meus créditos haviam acabado e eu não conseguia comprar cartão para telefone público porque ninguém falava inglês, nem mesmo o cara do ponto de informações turísticas! E então? O que fazer?

To be continued...

E a música de hoje, não consegui pensar em nada diferente. Trem... trem... Essa parte da viagem foi muito marcante pelo trem e tudo que passei nele. Então, que venha o saudoso Adoniran! 

Adoniran Barbosa - Trem das Onze


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Capítulo I: I love Serbia, I do!

Esse fim de semana estava contando para meu amigo Bombeiro sobre uma das grandes e corajosas experiências que tive na vida: ir sozinho para a Sérvia. Bom, foi um momento bacana de muitas lembranças e, fuçando no meu celular, encontrei um texto que escrevi sobre essa viagem única e marcante da minha vida. E aí viajei mais uma vez naquelas palavras (leia-se memórias). Esta aí uma grande (enorme) vantagem de escrever: eternizar momentos. Quem disse que uma imagem vale mais que mil palavras? Sabe de nada, inocente. Bom, como o texto é muito grande, e eu já havia postado uma versão resumida dele aqui (por questão até de bom senso), resolvi dividi-lo em três partes e postar uma de cada vez. E aqui vai o "1° Capítulo" dessa loucura sã...



Um dia. Uma tarde. Um momento. O momento. O momento que a presidente da AIESEC Torino postou no facebook sobre a NatCo. Mas o que seria isso? Mais ainda, o que poderia ser isso? Pela breve pesquisa feita, fruto do interesse súbito, seria a centésima edição de uma famosa conferência da AIESEC Sérvia que comemorava seus 60 anos. Promessa de um evento especial. Mas seria muito além disso. Seria além de todos os limites.

Naquele momento, comecei a pensar e decidir ir ou não. Alí já surgiam os problemas. Primeiro, a conferência seria de 28/11 a 02/12. Eu já tinha viagem programada entre 21/11 e 26/11. Como deveria chegar a Belgrado no dia 27 e partir dia 3 por causa dos horários, não valeria a pena voltar pra Torino. Então seriam 13 dias fora de casa. Em seguida pensei nas aulas. Seriam, de fato, 7 dias de aula perdidos. Mas ouvi um sábio conselho de uma sábia e experiente pessoa no assunto: "Tarcisão, o que você vai contar para os seus netos? Que não matava aula no intercâmbio?". E aí pus na balança. De um lado, aulas que são, na maioria, gravadas e disponibilizadas na internet, e do outro, uma oportunidade de experiência que não saberia quando nem se teria novamente. Decidido sobre aulas, veio um conhecido problema: dinheiro. Mas eu tinha (ingênuas) esperanças de que a CAPES pagasse até a data. Como não pagou, aqui um agradecimento especial aos meus pais que me deram o suporte para viver tudo isso. Garanto que cada centavo valeu mais que a pena.

E o quarto problema, depois de já decidido, uma surpresa: brasileiros precisam de visto para entrar na Sérvia. Por sorte (ou destino), existe um consulado servio em Milão, onde meu avião de volta de Estocolmo pousaria na segunda, dia 26. Entao eu teria exatamente um dia pra resolver. Depois de ligar para o consulado, confirmei a decisão. Iria para a Sérvia.

Então, hora de planejar detalhes e comprar as passagens. De Torino ou Milano diretamente para Belgrado não existem opçōes baratas, então o trajeto seria Milano-Budapeste de avião e Budapeste-Belgrado de trem. E aí veio o quinto problema que pode ser dividido em 3 partes. Na primeira, a decepção ao verificar que as passagens pela Ryanair para Budapeste haviam aumentado e tornado a viagem inviável. Primeira desistência. Após algumas horas inconformado, fui tentado a uma última tentativa: Skyscanner. E lá foi que descobri a Wizzair e suas passagens baratas para o leste europeu. Mas ai veio a segunda parte do problema das passagens: cartao de crédito. Por problemas bancários não conseguia comprar as passagens. Segunda desistência depois de um dia de tentativas. No dia seguinte, uma última ligação para o banco e bingo! Problema resolvido. Passagens ok? Não! A terceira parte do problema e que pode tambem ser dividida em outras duas relativas ao trem. Primeiramente, a versão em inglês do site não funcionava. E eu não sei nem pedir uma cerveja em húngaro! Quanto mais comprar passagens de trem. Quando finalmente funcionou a versão em inglês, a compra não finalizava. Depois de muita persistência e uma tarde perdida, enfim, consegui comprar as passagens! Pronto! Eu iria mesmo pra Sérvia!

To be continued...

Vídeo de hoje: Permitam-me ser piegas e repetir Lulu e seus Tempos Modernos? Não consegui pensar e nem há outra música que traduza tão bem aquele momento.

Lulu Santos - Tempos Modernos