segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Desculpe-me, Belchior.



Estava tão perto, mas demorei. É aquela história: é fácil, depois eu vou. E você vai deixando. Nestes quase seis meses aqui eu fui a Alemanha, Suécia, Sérvia (passando pela Hungria), Irlanda, Bélgica, Holanda e, é claro, minha Itália. E, por último, a vizinha, aqui do lado, França. O décimo país visitado, contando com o meu querido Brasil, é claro.

Cada país uma experiência uníca, uma cultura diferente, e sempre na companhia de pessoas sensacionais, sejam amigos de antes ou conhecidas na viagem. Volto a repetir, não importa onde, mas sim com quem. E até mesmo os lugares que não me impressionaram, como o caso clássico e polêmico de Dublin, valeram a pena pela companhia. E sempre vale a pena conhecer culturas novas. Procuro sempre experimentar pratos e bebidas típicos, aprender algo do idioma e conhecer a cultura e tradições de uma forma geral. E nisso tudo, a França me impressionou.

É fato que a região de Grenoble que visitei se assemelha muito a Torino, mas as pequenas diferenças fizeram, de fato, diferença. Saí de Torino feliz de abandonar a neve e cheguei a Grenoble com mais neve ainda. Voiron então era como um cenário de "O abominável homem das neves". Mas o calor da recepção, tanto por parte dos brasileiros, quanto por parte dos franceses, deixou a neve em segundo plano. O que falar do jantar francês com um prato típico de batatas chamado Gratin Dauphinois e depois uma tábua com inúmeros tradicionais queijos franceses? Sem esquecer do vinho francês e da companhia agradável da família francesa do meu amigo Anthony que, mesmo com a dificuldade do idioma, pudemos nos comunicar e desenvolver alguns diálogos legais. Até aprendi e arrisquei um pouco de francês! Valeram as aulas da querida professora e ex-orientadora, Giani! 

E já que estamos falando de cultura, até o futebol eu traí! Mas por uma boa causa. Descobri o rugby! Uma paixão antiga dos franceses que ainda não pegou no Brasil. Mas como diz a propaganda, um dia isso vai ser grande por lá! Por enquanto, aqui, eu já escolhi meu time. Ici! Ici! C'est Grenoble! Apesar de eu não ter sido pé quente como meu amigo francês foi para o Cruzeiro, espero ter a oportunidade de ir a outros jogos. Mas também não dá pra comparar né? De um lado, aquele frio e aquela neve congelavam meus pés. Não tinha como esquentar. Do outro, o Cruzeiro contra o Atlético-MG, ainda mais em final de campeonato. Não precisa nem de meia. Qualquer um descalço, na torcida celeste, tem os pés pegando fogo. 

Um ponto bem interessante que verifiquei foi a veracidade de que franceses não gostam, ou não sabem, falar inglês. Pelo menos em Voiron, não era fácil se comunicar neste idioma. E não falo somente de pessoas mais velhas, mas sim de jovens que, normalmente, até mesmo no Brasil falariam pelo menos um inglês básico. Se é por causa de guerra com a Inglaterra ou orgulho do próprio idioma não sei. Fato é que se não fosse o meu amigo francês que, mesmo após 1 ano e meio fora do Brasil, fala um português invejável para muitos brasileiros, eu não poderia ter me comunicado muito por lá. Exceto com um francês que falava italiano. Aqui um momento de orgulho próprio: falar italiano fora da Itália, com um francês filho de italiano, e perceber que falava italiano melhor que ele. Mas o ápice linguístico da viagem não foi este, mas sim quando meu amigo francês contou que conheceu um paulista que ficou impressionado com seu sotaque mineiro ao falar português. Quanto orgulho!

Pra finalizar o maravilhoso fim de semana na região mais italiana da França, um almoço italiano com meu amigo francês e meus amigos brasileiros. O cozinheiro? Obviamente o aprendiz aqui. Uma pasta alla carbonara tradicional romana acompanhada de vinhos tinto e rosé franceses. E na terra dos queijos, um queijo italiano roubou a cena: o meu preferido Pecorino Romano, que serviu tanto à pasta, quanto como acompanhante dos vinhos e conquistou a todos.

Então, por isso tudo, peço desculpas ao Belchior, para mim o maior compositor da música brasileira. Não! Não quero esquecer o francês, a França, os franceses, e nem nada disso que vivi por lá. Muito pelo contrário. Quero sempre lembrar e até mesmo poder reviver, retornar. Au revoir, France!

E o vídeo desse post é exatamente a música citada do Belchior. Para quem não conhece, Tudo Outra Vez, uma bela canção que ele escreveu há décadas quando exilado na França, mas que ainda toca o coração de muita gente. Principalmente de quem está há tempo, muito tempo, longe de casa.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Cem cervejas sem arrependimentos



Um número redondo e absoluto. Muitos procuram números. Não importa qual e nem o que significam. Mas jamais são apenas números. Para um jogador de futebol pode ser o centésimo ou milésimo gol, para um empresário de sucesso pode ser o centésimo milhão de reais, para um solteirão na micareta pode ser a décima ou vigésima garota. Para mim, esse número 100 não é apenas a centésima cerveja, pois cada uma delas carrega consigo uma história.

Não posso dizer ao certo quando comecei a jornada. Aquela velha máxima de que a primeira a gente nunca esquece não vale para cerveja. Pelo menos não para mim. Mas provavelmente foi uma Skol (eeerrg) bicada no copo dos pais quando tinha lá uns 10 anos. E não acho que tenha feito uma cara e comentário diferente da maioria das crianças do tipo "Que horrível essa coisa amarga!". Na verdade, é o mesmo comentário que eu faço até hoje quando bebo Skol, porque né?

Então, passado o trauma da primeira cerveja (ou Skol), mais tarde veio a fase "beber pra enturmar e/ou ficar bêbado". Como bom virginopolitano que sou, iniciei na BOA e velha Antarctica. Até mudar para BH e ser obrigado a me acostumar com a Brahma. É aquilo né? Se não pode com eles, junte-se a eles. Mas vez ou outra eu convencia meus amigos a pagar um pouco mais caro e saborear a melhor cerveja do Brasil: Original. Original de quem? Antarctica. Além da Original, sempre foi possível variar também com a Serramalte (mais uma da Antarctica) e a velha, boa e floral Bohemia. Existiu também a fase de contenção de recursos que obrigava a beber Itaipava, Nova Skin e até mesmo Glacial (3 de 600 ml por 5 reais na empresa no Paquetá). Mas quer saber? Qualquer uma dessas é melhor que Skol, que custa até 3 vezes mais caro!

E não foram só as brasileiras. Também me apaixonei (e criei uma relação de ódio mortal) com algumas estrangeiras. Para começar, o meu amor maior: Stella. Conheci a Stella tarde, já aos 20 anos. Mas foi amor incondicional e a primeira vista. E ainda estamos apaixonados. Mas outra balançou meu coração: Hoegaarden. Tímida, porém irresistível com seu sabor leve de trigo. E assim, se completou o trio que faz meu coração bater mais forte: Original, Stella Artois e Hoegaarden. Uma brasileira e duas belgas. Para empatar o coração, na sequência uma outra brasileira que fará muitos apreciadores de cerveja desejarem minha morte lenta e sofrida: Antarctica! Sim, pra mim, ela é BOA!

Mas onde começou essa ideia louca de anotar e contar todas as cervejas? Blumenau, Oktoberfest, 2010. Foi quando descobri que cerveja não era só para chapar como se não houvesse amanhã. Cerveja também é para degustar e apreciar. E lá em Blumenau eu conheci a tradição alemã dos 4 ingredientes, assim como conheci a Eisenbahn, a Bierland, a Schornstein e muitas outras. E também conheci o processo de fabricação e os diversos tipos existentes (Pilsen, Ale, Weiss, etc). Daí a paixão e busca pelo sabor e pelo conhecimento.

E a história chegou a um capítulo muito belo em um lugar muito especial: o país das melhores cervejas e um dos pubs mais famosos do mundo. Bélgica, Bruxelas, Dellirium. Foi lá que, em meio a mais de 2 mil cervejas diferentes, eu experimentei a minha centésima. Ela já havia sido escolhida e recomendada. Famosa, cultuada, endeusada e superestimada. Deus. Não é ruim, nem tão boa. Os 32 euros (aproximadamente 84 reais) por uma garrafa valeram o momento, o capítulo. Mas no Brasil, provavelmente não pagaria R$ 200 para bebê-la novamente. Em termos de sabor, a que valeu a noite foi a Hoegaarden Grand Cru, minha 99. Mas já sabia. A Hoegaarden não decepcionaria.

A história continua! Depois da Deus, experimentei cervejas de manga, cereja, banana, e, é claro, puras de cevada, trigo e muitas outras. Continuo anotando e buscando novos rótulos e novos sabores. Não sei quando e nem onde chegarei a 200, 300, mil. Só sei que jamais deixarei de lado as minhas tradicionais queridinhas e que, onde quer que seja, a cerveja tem que estar gelada e a companhia tem que ser boa. Se o tira-gosto também for bom, melhor ainda. Em casa, no Bar da Branca, no Tácio, no Manoel, em Blumenau, em Munich, no Dellirium, onde for. A boa cerveja é aquela tomada em companhia boa. Como foi da minha primeira a minha centésima. E que espero que sejam todas as próximas.

Acho que já postei esse vídeo quando escrevi sobre a Oktober, mas ele é especial, pois marcou Blumenau, onde a paixão foi, de fato, despertada. E porque uma boa cerveja pode te levar ao céu, assim como um avião.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Gigante resplandece



Três de fevereiro de 2013. Hoje é um dia especial. E é um daqueles dias de nostalgia e peso da renúncia que vem e voltam durante o intercâmbio. Hoje, após um longo e árduo período, o estádio Governador Magalhães Pinto voltará a ser a casa do maior clube de Minas. Reencontro de gigantes: o Gigante da Pampulha e o Gigante de Minas. 

A casa do maior clube de Minas. Não é apenas um estádio de futebol. O Mineirão é a casa de mais de 8 milhões de mineiros. É um palco, onde grandes craques desfilaram, como Tostão, Ronaldo, Sorin, Alex e muitos outros. É um livro. Um livro com páginas heróicas e imortais. Ele viu grandes jogos de Libertadores, como aquele final da edição de 1997, assim como foi palco para reações incríveis como naquela final da Copa do Brasil de 2000. Viu também um clube do estado ganhar 3 títulos de forma incontestável no ano de 2003. E viu muitas outras coisas. E de todas essas conquistas que elevaram o nome do estádio e do estado, o protagonista foi o clube celeste que retorna a casa: Cruzeiro Esporte Clube. E agora com exclusividade, porque cada clube tem o estádio que corresponde à sua grandeza. 

E falando em histórias, o Mineirão não tem apenas histórias sobre agremiações, mas também está em encontros, amizades, família, e muito mais na vida de muitas pessoas. Eu vivi boa parte da minha vida em pé nas arquibancadas cantando até perder a voz, ou mesmo no estacionamento antes e depois do jogo tomando aquela cerveja gelada e comendo tira-gosto da Goretti com os amigos. Quantos casos, quantas emoções. Desde empurrar carro pra pegar no tranco porque a bateria arriou enquanto ouvíamos as tradicionais músicas, até almoço em família com frango assado e farofa no estacionamento. Que saudade de encher o isopor gigante de cerveja e gelo e chegar no estádio 4 horas antes do jogo com a galera. Não é só sobre futebol. É sobre amizade, sobre parceria, sobre a vida. 

Mas como é também sobre futebol, como esquecer alguns jogos como aqueles dois 5 x 0 sobre o Atlético-MG? Especialmente o primeiro, no ano do centenário alvinegro. Final de campeonato estadual, 5 x 0 no placar e milhares de cruzeirenses cantando "Parabéns pra você! Nessa data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!". Aliás, os clássicos sempre foram especiais. De muitos que fui, perdi apenas dois: aquele fatídico e incomum 4 x 0 da final do estadual de 2007 e a explicável e insignificante derrota com time reserva em 2009. No mais, sempre vitórias, goleadas... Como explicar a sensação de um 5 x 0 sobre o maior rival na final do estadual no ano do seu centenário? E como explicar o mesmo placar se repetindo na final da mesma competição do ano seguinte? E a apreensão de ver o rival empatar um jogo que estava 2 x 0 para o seu time e ter um penalti para cobrar? E quando o goleiro reserva do seu clube defende a cobrança com o pé? E seu clube ainda vence a partida no fim? Não foram só clássicos, estive também outros grandes jogos como, por exemplo, na Libertadores de 2009. Grandes, emocionantes e inesquecíveis partidas. Até mesmo a final, a dor. Assim como tudo que envolve sentimentos nessa vida, o Mineirão também foi marcado por dor, frustração, revolta... Mas sempre superadas e compensadas pelas amizades e pelo amor ao Cruzeiro Esporte Clube.

Enfim, hoje ele abre as portas novamente. E eu não estarei presente. É como se perdesse a formatura ou casamento de alguém que estimo. Mas não sinto só tristeza. Sinto também esperança. Esperança de que o Mineirão traga a grandeza de volta ao Gigante de Minas. O Cruzeiro é do Mineirão e o Mineirão é do Cruzeiro! Sempre foi e sempre será assim. Como já diz o Hino Nacional Brasileiro, no encontro de dois  gigantes pela própria natureza, a imagem do CRUZEIRO resplandece! 

E hoje, tres vídeos especiais. O primeiro é o momento inesquecível do "Parabéns pra você" em 2008 e o segundo são os melhores momentos daquele jogo na versão fantástica do Tadeu Schimdt no Fantástico. Por último, grande matador fazendo gol de penalti no Mineirão. Haha