Nem me lembrava mais da última vez que estive por aqui. É verdade. Estive sem inspiração. Não por falta de motivação. Acho que motivos tive até muitos para escrever. Tantos que, inclusive, estão acumulados. Mas é que precisava de um tempo. Um tempo disso tudo. Dessa vida que vivi e que vai viver pra sempre em mim. Mas assim como estava falando com o Rafa, meu eterno irmão de família Ordem, embora doa, tudo que é bom tem que acabar. São os finais que dão oportunidade para novos começos, para a renovação. Não fossem os finais de diversos outros bons e saudosos ciclos de nossas vidas, não teríamos tido a oportunidade de viver aquele inesquecível e intenso na terra da culinária mais apreciada do mundo. E foi exatamente o fim deste último ciclo que disparou o início do próximo: andar por este país.
O planejamento inicial é poder visitar cada uma das pessoas que foi importante e especial de alguma forma pra mim durante meu intercâmbio. Mais que conhecer lugares, eu quero rever pessoas. E quem me conhece sabe que para mim, viajar nas pessoas é muito mais importante que passar por lugares. E, por ironia do destino, comecei por São Paulo, 15 dias após pisar novamente em terras canarinhas. Digo ironia, pois sempre falei que não tinha a menor vontade de passar em São Paulo, nem pelo alto. De cidade grande, Belo Horizonte já é o limite do stress pra mim. Mas como tinha uma conferência nacional da AIESEC Brasil, resolvi "unir a fome com a vontade de comer" e dar uma estendida de alguns dias na capital paulista. Foi muito bom por ter tido o grande prazer de reencontrar os mais que especiais Laurinha, Dênis, Luan e Pavê, mas, como previsto, a cidade não me impressionou. De positivo, o metrô (mas ainda é insuficiente para toda a população) e o preço da Original no DA da FAU. De negativo, o trânsito (congestionado às 14h) e os preços absurdos. Logo que cheguei, mais esfomeado que um italiano ao sair do balaio, já foi um choque ao procurar algo para comer. Não encontrei um delivery onde um hambúrguer simples (pão e carne) custasse menos que 15 ou 20 reais. Só o sanduíche. Decidi ficar com fome. Economiza e emagrece. E o lanchinho na rodoviária? R$ 9,70 um pãozinho (bem inho) de queijo e uma caixinha mini de capuccino gelado. Alí não dava pra segurar a fome tendo pela frente a viagem longa de ônibus até o hotel da conferência. Paguei, comi e chorei.
Antes de passar para o próximo destino, quero destacar as três visitas especiais que recebi em BH: o Carlão mais sussa do estado de Goiás, o italiano mais gaúcho-mineiro do mundo, Marcello, e o meu outro irmão de Ordem, Flavão ubriaco! Como sempre, tivemos momentos épicos e ímpares aqui na terra da cachaça. Falando em terra de bebidas, vem o próximo destino: a Serra Gaúcha, paraíso dos vinhos. E foi daquelas viagens especiais que descrever sem utilizar a palavra "sensacional" vira desafio. E poderia ser diferente? Serra gaúcha, vinhos artesanais maravilhosos, parreirais belíssimos, influência e tradição italiana, e eles! Os burrões mais queridos do planeta! Encontrão CsF Torino pra formatura da Pesce. Foi um prazer enorme reencontrar Pexinho, Juline, Prix, Natana, Lari, Avon (Muriel), a Rafa, o Rafa, Flavão, Denis, Carlão e, último, mas não menos importante, o grande (ee) Marcião. De negativo, pouca coisa. Acho que só o cheiro ensurdecedor dos "despejos" dos gatos da Joline, os vinhos Aurora, e o terrível acidente na adega da Ju. De positivo, vixi! Tanta coisa. Primeiramente, a realização do sonho de roubar um bode!!! Depois, o fantástico (e rápido) acesso de trem ao aeroporto de Porto Alegre, a Serra Gaúcha, os parreirais, os vinhos e espumantes Toniolo, a costela gaúcha, o casal simpático de velhinhos da pousada, o hi-five do Marmita e, é claro, a companhia dos burrões!
Meu próximo destino já havia sido profetizado pelo Nelstradamus em Torino, como bem lembrou ele. Mas se bem que não era algo de difícil previsão. Pela sintonia com as pessoas, principalmente com um dos meus irmãos de Ordem, e pela sintonia entre as cidades. Sabem de onde estou falando? Uma dica: Curizonte. Outra: Beloritiba. Cidades que se confundem e, ao mesmo tempo, se diferenciam completamente. Um dos maiores exemplos foi o Mercado Municipal. O de BH parece a Porta Palazzo, só que com butecos e pessoas em pé bebendo e comendo fígado e chouriço com jiló. O de Curitiba parece shopping com restaurantes finos e caros. Em alguns pontos, Curitiba nem parece Brasil. Lembra Europa. Principalmente pelos parques e aproveitamento do espaço público. E esse caráter "europeu" curitibano chega até a soar como ostentação. Tudo lá tem que ser belo e exagerado. Se não o for, está fadado ao fracasso. Basta pegar como exemplo as famosas "burguerias" e qualquer outro lugar na badalada Avenida Batel. Outro exemplo é o Madalosso - maior restaurante do mundo - e todo o Santa Felicidade. Madalosso que de italiano não tem nada. Aliás, talvez a única coisa italiana que encontrei lá foi a ignorância do garçom. Talvez foi por estar no salão Roma. Poderia ter sido diferente se estivesse no Torino, caso existisse. Mas vale a pena conhecer, principalmente pela região espetacular que é Santa Felicidade. Ela e toda Curitiba inspira e transpira Itália. E por isso me senti em casa. Certamente voltarei, Curitiba. Ainda mais tendo recepções fantásticas como tive do Rafa e da sua mãe, Márcia. De positivo, então, essa italianidade, os preços dos vinhos italianos (levei 8 pra BH pagando cerca de R$ 130,00), o Bar do Alemão (uma das coisas mais fantásticas de Curitiba), o gelato italiano da Gelateria Freddo (OMFG já quero mais!), o Costelão (achei ótimo o custo/benefício) e, certamente, as pessoas que reencontrei (Rafa, Márcia, Leo e Carol) e as demais que conheci. De negativo, o canteiro de obras em que a cidade se encontra (atrasada, obviamente, para a Copa do Mundo), as filas enormes em diversos lugares, a desorganização do aeroporto, a limitação para comprar pinhão (nunca vi limitar o cliente) e o vinho campo-largo do Madalosso (nada italiano, muita dor de cabeça). Não vou citar o clima como negativo, pois, como profetizado por mim mesmo, levei o sol e deixei a chuva.
Bom, por ora, casa. O próximo destino? Só as promoções áreas poderão dizer! Mas se depender de mim e elas cooperarem, em breve estarei pousando em Brasília (alô Flavão!) ou Goiânia (alô alô Natonga e Carlão). E na sequência, Belém (aê Rickão e Kelly!). Depois Floripa (siamo noi Prix!). E o que mais tiver pela frente. Até começar tudo de novo.
Ps: Enfim atualizei meu perfil aqui no blog que antes dizia "um mineiro da grota realizando o sonho de morar na Itália". Resolvi não limitar nem ao Brasil e nem a lugar algum. Quem tem limite é município. E eu sou do mundo!
A música de hoje não poderia ser outra que não essa do nosso saudoso Gonzagão que deu origem ao título desse texto. Mas resolvi colocar mais uma que marcou a viagem para a Serra Gaúcha. Por que se a Aurora fosse sincera né gente?
Luiz Gonzaga - Vida de Viajante
MC Buchecha - Aurora
