quarta-feira, 1 de maio de 2013

Os meus



Na Itália você não precisa dizer "os meus pais" ou "a minha família". Basta dizer "i miei", em português "os meus". E não é que faz todo sentido? Afinal, o que você tem de mais seu nessa vida? Com o que você sabe que pode sempre contar? Quem sempre estará lá? Me desculpem meus amigos. Amo todos. Mas de certo mesmo, só temos a família. Eles são os meus.

E os meus vieram até mim. Não consigo explicar o que senti quando os vi atravessando a porta de desembarque no aeroporto. Faltava meu pai, mas acho que minha mãe trouxe com ela todo o carinho e saudade acumulados pelos dois. E tinha também meu irmão que não poderia ter outro nome que não José e minha irmã que não via e nem fazia nada que não lembrasse do Dr. José. Além também da companhia extra da querida Tia Li. Os dias que viriam não poderiam ser diferentes.

Torino, a minha querida casa italiana, foi pouco explorada. O tempo era curto e haviam outros destinos tradicionais muito mais esperados. Começando por Paris. Ah Paris! Como é bela! Como é apaixonante! Como é inspiradora! Como é cara! Cidade maravilhosa. Mas pra visitar uma vez a cada titulo importante do Atlético-MG. Do contrário você ficaria pobre e ainda correria o risco de ser contagiado pela péssima educação e hospitalidade dos parisienses. Mas vá a Paris antes de morrer! E não deixe de comer croisants e aprontar peripécias pelo Museu do Louvre como imitar as várias estátuas com posições interessantes que tem por lá! Além de subir a Torre Eifel até o topo. Só não perca tempo ficando lá até o anoitecer para constatar que a Cidade Luz não tem tanta luz. 

De Paris para Roma. Duas capitais européias. E as semelhanças param por aí. Principalmente quando o assunto é café da manhã. Pergunte aos meus irmãos o que acharam dos brioches doces italianos. Ou a minha mae o que achou do café. Mas tem também a parte boa na culinária. Para almoçar ou jantar, Roma (e toda a Itália) é muito melhor (e mais barata) que Paris. Além das diferenças culinárias, existem todas as outras. Roma é um outro propósito. Em meio ao caos que lembra muito uma grande cidade brasileira, tem as maravilhas antigas e encantadoras como o Coliseu e o Forum Romano. Assim como tem também os símbolos de ostentação de riqueza da Igreja Católica como a Basilica di San Pietro. Mas em Roma o que mais marcou não foi nada disso. O mais marcante da cidade foi poder encontrar com pessoas tão queridas como Tio Erasmo, Tia Dé e Ju, além de, todos juntos, celebrarmos o aniversário da Ana Bárbara em um show emocionante e inesquecível de ninguém menos que Marisa Monte no Teatro Santa Cecilia.

De Roma a próxima parada seria Firenze (ou Florença pra quem não sabe). Mas tivemos a feliz ideia de ir direto para Pisa margeando o litoral da Toscana vendo e sentindo a brisa daquele fantástico Mar Mediterrâneo. O pouco tempo em Pisa valeu a pena por ver o quão torta e impressionante é aquela Torre. Além de se maravilhar com a bela e simples cidade e poder, enfim, encontrar o pià do Alexandre. Firenze ficou para o outro dia. Não foi a melhor das experiências ir para Firenze de carro. Mas o que valeu a pena na cidade foi a maravilhosa vista da Piazzalle Michelangelo e a indescritível pizza do Ristorante Yellow, proximo ao Duomo da cidade. A próxima parada foi em Verona, onde o tempo não colaborou muito mas visitamos a famosa casa da Julieta, onde a Tia Li teve a decepção de descobrir que quem tinha tranças era a Rapunzel, e não a amada de Romeu. De Verona fomos para a famosa Veneza. A previsão do tempo não era animadora, mas parece que Sao Pedro resolveu cooperar para que o passeio fosse fechado com chave de ouro. Ponte de Rialto, Piazza San Marco, Burano... Cada lugar mais encantador que o outro. Fora o charme de andar de barco pela cidade. Dessa vez nem os indianos e suas flores conseguiram incomodar. Foi pra abrir e fechar com chave de ouro: começar com Paris e terminar com Veneza.

De volta a Torino, o ponto turistico principal era a feira da Porta Palazzo. O meu lugar preferido da cidade se tornou também o da minha família. E também um tempinho em casa com bons vinhos, queijos e pra finalizar, uma tradicional lasagna. A minha não ficou tão espetacular como a da Giulia Merante. Aliás, aquela lasagna e aquele Parmiggiana, além do Tiramisu da Mama Merante foram uma recepção. Os dotes culinários da família Merante foram assunto durante toda a viagem. A cada prato experimentado, a comparação era inevitável. Começar com a lasagna da Giu é igual começar com Paris. É um começo espetacular. Mas faz todo o resto perder um pouco da graça. Mas fico feliz que tudo deu certo. Queria que tivessem ficado mais, mas tiveram que voltar. Assim como terei que fazê-lo e não demora. Em breve estaremos todos reunidos novamente. Estarei com os meus (parentes) nos meus (lugares). Brasil, Minas, BH, Virginópolis, família. Já já!

Ainda bem que tenho vocês, não é Marisa?





   


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