sexta-feira, 14 de junho de 2013

Que não voltem com este cálice



A última terça-feira marcou exatos 9 meses que saí do Brasil. Tempo de uma gestação completa de um ser humano. Tempo para ser concebido, desenvolver-se e nascer. Não posso dizer que fui concebido há 9 meses atrás, pois já tenho uma história, uma base. Assim como meu Brasil. Não nasci de novo, mas me desenvolvi. Assim como meu Brasil. 

Nesses 9 meses senti tristeza por mim e pelo Brasil. Assim como senti alegria por mim e pelo Brasil. E senti ainda orgulho de mim e do meu Brasil. Saí do Brasil, mas ele jamais sairá de mim. E me decepcionei com tantas notícias, principalmente com projetos de leis absurdos (na maioria vindo de uma bancada evangélica conservadora e dominadora de massa) como por exemplo a ridícula e cômica "cura gay" e o polêmico "estatuto do nascituro". Foi triste e desanimador ver também figuras sórdidas como Marco Feliciano, Renan Calheiros e José Dirceu assumindo postos importantes devido a um jogo político de dominação e barganhas exercido pelo PT. Triste ouvir sobre nossa economia e seu desempenho decepcionante, principalmente sobre a gritante inflação subestimada pelo governo petista. O que dizer do preço do Tomate?

Talvez eu esteja equivocado. Acho até que estou mesmo. Isso não é de agora. Não começou quando saí do Brasil. Esse circo está armado faz tempo. E tudo sempre esteve sob controle. O jogo político sempre funcionou com barganhas eleitorais. Mas o que mudou? O que eles sempre temiam e tentaram controlar por décadas: o acesso à informação. Hoje não adianta mais manipular a mídia, fazer a política do pão e circo e fingir que está tudo bem. Não para a nossa geração. Nossa geração sabe usar os meios que tem e está acordando. Aos poucos as ferramentas vão se tornando cada vez mais inclusivas. Não dá mais para esconder e manipular as informações. E de posse delas, não há como não se indignar. Se indignar por você, pela sua família, por sua comunidade. Se indignar pelo seu país.

O brasileiro acordou. E o desespero se instalou em quem sempre comandou e manipulou. Em São Paulo utilizam a força bruta e se fazem de vítima. Tentam ainda manter o apoio de uma classe média egoísta e acomodada que quer apenas chegar em casa no conforto de seus carros. Em Minas proíbem manifestações e greve preocupados com a Copa das Confederações. Mas quando é que se preocupara com o povo? Nossas gerações anteriores lutaram tanto em um passado recente para vencer uma ditadura fria e desumana. Para podermos ter garantido o direito de expresar, de agir, de se indignar. E hoje querem nos roubar novamente este direito. O mínimo que podemos fazer, por nós, pelos que lutaram tanto e pelo nosso país, é resistir e lutar. Que o exemplo de São Paulo seja seguido e esta luta, que não é só por 20 centavos, cesse apenas quando a dignidade for devolvida ao brasileiro.

Ps: Sou completamente contra qualquer ato de violência e vandalismo. Quem se utiliza de violência, é porque seus argumentos já não tem mais força.

Desculpem o clichê, mas pensando na música para este post, só me vieram as famosas da época da nossa ditadura. Então, como homenagem àquela geração, escolhi uma do grande Chico Buarque que fala justamente do repúdio à violência.

Chico Buarque - Cálice


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