Eu
sempre discuto sobre dormir e sonhar. Ontem mesmo tive uma dessas discussões,
onde eu defendo que dormir é perda de tempo e que, enquanto você dorme, sonha
com uma realidade paralela que não é a sua. Mas existe outro tipo de sonho. É o
sonho vontade, o sonho objetivo. E este sonho, você corre atrás dele acordado.
Acordado e atento para as oportunidades que passam pela sua vida. Acredito em
destino. Mas não em um destino pronto, inflexível e inevitável. Acredito que a
vida tem algo pra você, mas que chega como que fantasiado, distante, e que, se
você não enxergar e correr atrás, acaba passando despercebido. E foi assim,
acreditando em destino e agarrando oportunidades, que cheguei até aqui, para
escrever esse blog sobre um sonho prestes a ser realizado: o intercâmbio na Itália.
Gosto
de ligar pontos e é por onde vou começar. Um ponto lá atrás, jogando o saudoso CM
01/02 (Sim! Jogando Championship Manager), onde, pela “sorte” do jogo, fui
convidado para treinar a Roma depois de uma boa campanha pelo Cruzeiro. Ali eu
conheci o futebol italiano, me apaixonei pela Roma e me tornei fã de Francesco
Totti. Este ponto me atentou para outro, já existente, mas que eu não
considerava: uma tia professora de língua italiana. Ainda com apenas uma ponta de
interesse, passei a prestar atenção nas suas aulas quando ia à sua casa, e ficar
repetindo sozinho a pronúncia bonita daquelas palavras.
Aqui
outro ponto, ainda meio desconexo dos anteriores, mas que se conectará em
momento apropriado: o CEFET-MG. Ele começou em uma infelicidade: morava em
Virginópolis e fiquei sem transporte para a escola que estudava em Guanhães.
Isso me obrigou a mudar de escola e, nessa escola, foi que conheci o CEFET-MG,
pra onde iria mais tarde fazer curso técnico de Informática Industrial. E do
ensino técnico, acabei indo também para o superior fazer Engenharia de
Computação. Aqui pausa para um ponto marcante: a inscrição perdida para o
vestibular da UFMG. Talvez eu tivesse passado lá e não teria continuado no
CEFET. Mas eu não trocaria as oportunidades que tive (e continuo tendo) nessa
instituição por nada.
Hora
de ligar pontos. Aquela tia que dava aulas de italiano foi morar próximo ao
CEFET. Aproveitei a oportunidade e comecei um curso de italiano, pensando,
naquele momento, apenas em realização pessoal. Mesmo sabendo que deveria
investir no meu inglês e até concordando com quem dizia que língua italiana não
seria útil para minha carreira profissional. Só que não! O básico que aprendi
de italiano me encorajou a participar do processo seletivo para o programa
Ciência sem Fronteiras. Digo que entrei sem esperanças, pois sabia muito pouco
do idioma e imaginava que meu histórico escolar não era suficiente para
concorrer com o Brasil inteiro. Mentira! Se você entra em algo, tem esperança,
ainda que pequena, mas tem! E o que era uma ponta de esperança, virou
realidade.
Entre
pontos e pontas, estou prestes a realizar um grande sonho. Cada etapa, por mais
burocrática e cansativa que seja, é uma renovação de energia e como um “tapa na
cara” do tipo “Isso é real!”. Em vários momentos pensei em desistir. Pensei em
desistir do curso técnico, do curso superior e também do processo seletivo do
programa de intercâmbio. E, em todas as vezes, o pensamento era consequência da
sensação de incapacidade. Mas se eu desistisse, a linha seria quebrada, os
pontos não teriam mais ligação e a sequência seria interrompida. E, afinal,
essa é a vida: são pontos que se conectam, guiados pelo destino, motivados por
sonhos e realizados por atitude.

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