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países, 11 cidades, 16 dias. Parece corrido, parece loucura. Mas o louco não
parece bem mais interessante que o normal? E como já dizia o grande poeta
Cazuza, o tempo não para e a gente ainda passa correndo. O tempo, aquele que
por vezes foi suficiente, outras vezes curto e, por que não, também até
demasiado. Ouvimos muito de muita gente que o ideal é visitar no máximo não sei
quantas cidades e ficar não sei quantos dias em cada. Mas não existe viagem
certa. Existe propósito, existe objetivo. E isso é pessoal. O nosso, desde o
início, era estar em movimento, conhecer e descobrir.
Eu
comecei minha viagem cedo, saindo de BH, Aeroporto de Confins, para o Aeroporto
de Viracopos em Campinas. Cheguei por volta de meio dia e o Hugo, que tinha
pegado ônibus em São Paulo, já estava lá. Nosso voo, comprado pela TAP, mas que
seria operado pela Azul (só descobrimos isso depois), sairia às 17h e logo na
chegada já vi a informação de que atrasaria 2 horas (ainda era meio dia!). Fiz
as contas e infelizmente perderíamos nossa conexão em Lisboa para Vienna.
Depois de encarar uma fila gigantesca e demorada para realizar o check-in (pois
a Azul não o faz online para voos internacionais), chegou nossa vez. Ao
questionar o motivo do atraso e o que fazer com a conexão, nos disseram que ao
fazer a manutenção da aeronave, precisaram trocar uma peça que estava ainda
para chegar, e que todas as conexões já tinham sido realocadas. No entanto, ao
tentarem fazer nosso novo check-in de Lisboa para Vienna, não conseguiram, pois
eu já o havia feito online (porque a TAP conhece a tecnologia). Cancelei o
check-in pelo meu celular e, depois de horas e 3 funcionários da Azul tentando
concluir o novo check-in, finalmente nos deram um bilhete dizendo que era o
novo voo, à tarde, nos fazendo perder todo o dia com nossa amiga God em Vienna.
O
voo de Campinas para Lisboa foi péssimo. Avião pequeno e desconfortável, comida
ruim e cerveja BA-VÁ-RIA! Sim. Eu não sei o que acontece comigo em voos, mas
quando fui pra Itália em 2012 pela TAP, serviram Kaiser no avião. Aí estou indo
pra Europa 5 anos depois e me servem Bavária. E pra provar que nada estava tão
ruim que não pudesse piorar, a TAP se superou ainda mais no voo da volta
servindo Skol. A solução foi tomar aquele vinho parecido com Marcus James (eca)
pra relaxar e tentar dormir um pouco. Já em Lisboa, quanta confusão. Eu quase
apanhei quando falei alto que tinha razão do Brasil ser a bagunça que é, pois
tinha sido colonizado por aquele povo. Filas enormes para tudo, banheiros
sujos, atendentes mal educados... Até golpe (alô, Temer!) - o primeiro da
viagem - sofremos lá. Para usufruir da nova lei de roaming gratuito na União
Europeia, compramos um chip da Vodafone lá mesmo no aeroporto. Nos disseram que
os 30 GB de dados válidos por 15 dias – que se chamava Internet Anywhere -
poderiam ser utilizados em qualquer país do bloco econômico. Ao chegar na
Áustria já não funcionava. E ao ligar na empresa fomos informados de que aquele
plano não previa roaming e só funcionava mesmo em Portugal (anywhere, desde que
seja em Portugal, piada pronta mesmo). Devo ser justo pelo menos com a
atendente do balcão da TAP que foi muito solícita e ao verificar nossos dados
descobriu que o pessoal da Azul em Campinas havia feito check-in mais uma vez
para o voo da manhã que não chegaríamos a tempo. Ela conseguiu fazer nosso
check-in no voo da tarde e graças a isto pudemos embarcar.
Chegando
em Vienna, aí sim país de primeiro mundo. E, como da outra vez que fui lá, fria
e cinza, mesmo que fosse verão. E ainda chovia. Pegamos um ônibus do aeroporto
direto para a estação de trem Westbahnhof, que era bem ao lado do hostel
Wombats The Lounge que reservamos. No caminho percebemos que todos os trams
(espécie de bonde) públicos da cidade ostentavam bandeirinhas LGBT, em sinal de
apoio e respeito ao amor em todas as suas formas. E, no hostel, reencontramos a
querida Ana Good God e, é claro que não era a única brasileira. Já na primeira
cidade, um brasileiro aleatório. Além de brasileiro, mineiro e cruzeirense!
Essa primeira passagem por Vienna foi bem rápida. Fomos tomar uma cerveja no
bar do hostel – muito bom por sinal – e chamaram nossa atenção (vergonha!) por
ter levado uma catuaba pro casal de havaianos que conhecemos experimentar. Mas
pensa: havaianos (que não usavam aquelas roupas do É o Tchan e nem dançavam ula
ula) bebendo catuçaí na Áustria! Valeu o carão. Depois fomos comer um Schnitzel
em um lugar bem peculiar que uns italianos jogavam jogos de tabuleiro. E, é
claro, acabamos a primeira noite na balada. A mesma festa, em duas baladas
diferentes na mesma rua e que você podia transitar entre uma e outra. Uma era
uma espécie de Revista Viva feat. Alambique e a outra era tipo Fifty feat.
Chalezinho. Nenhuma aceitava cartão e já gastamos uma boa quantia de euro em
cash.
No dia seguinte
partiríamos cedo para Budapest. Antes, um café da manhã em um quase típico café
de Vienna, mas que era de italianos, e servia um bom croissant. Em seguida, a
saga para pegar o trem. O trem para Budapest não passava na estação Westbahnhof
conforme eu tinha visto no site DB. Tivemos que pegar o metrô e ir para a
estação central, Houptbahnhof, onde finalmente embarcamos rumo à Budapest.
To be continued...
E a música de hoje é de todo dia. Porque a viagem foi tal qual um carnaval. Aliás, viver um eterno carnaval é uma forma mais leve de encarar a vida. Ressuscita!
Pabllo Vittar - Todo Dia





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