Às vezes me pego pensando em algumas palavras - ou temas - que me intrigam, perseguem. Outrora (e ainda agora) o tempo, hoje, a mudança. Conectados, porém esparsos. A vida é uma eterna e persistente mudança. Que bom (e que ruim) né? Seria muito monótono e chato se não o fosse. Sem mudança não há crescimento. Mas mudanças são também rupturas. Abandonar o velho para dar lugar ao novo. E isso às vezes dói. Principalmente quando é forçado, inesperado. É como se ninguém nunca estivesse pronto. E nunca estará mesmo.
Minha vida é circundada por mudanças. Geográficas, físicas, espirituais, psicológicas, pessoais, profissionais... Cada mudança, por mais que desejada (como a Itália, por exemplo) foi um desafio pessoal e cada um deixou dois principais legados: o crescimento e a saudade. O crescimento, pois uma cabeça que se abre, jamais retornará ao tamanho original. E a saudade. Ah a saudade... É tão difícil se desprender do passado e aceitar que algo acabou. Mas se nada acabasse, nada de novo começaria. E sempre vem algo de novo, algo de bom. Cada fase é importante, cada fase é inesquecível e, por que não, eterna. O famoso "eterno enquanto dure".
Mudar é abdicar. Quero roupas novas, mas não quero abdicar das velhas que trazem tantas recordações. Quero amizades novas, mas não quero abdicar de nenhum círculo social e seus eventos. Quero um amor novo, mas não quero abdicar das aventuras e da liberdade. Quero um trabalho novo, mas não quero deixar minha estabilidade. Quero morar no exterior, mas não quero deixar o Brasil. Aí, entre escolhas e renúncias, você vê que chega um momento em que não cabe. E não são só as roupas que não cabem mais no seu guarda-roupas - ou em você -, nem as recordações nas caixas - ou em sua memória. Não cabem mais pessoas. Não cabem mais alguns conceitos. Não cabe mais você.
Aí você percebe que, para continuar, precisa mudar, renovar. Precisa deixar o que é velho e não te cabe para trás. E você muda. Muda, cresce, reinventa. Rejuvenesce. E nesse ciclo infinito de mudanças, você vai ficando traquejado, calejado. Ainda assim, você nunca estará preparado. E mesmo não preparado, saberá reconhecer o momento de mudar novamente. O mais importante, é enfrentar a mudança e olhar pra frente, com a certeza de que algo bom vem de novo. Às vezes melhor. No mínimo, acalento.
Meu compositor e cantor preferido - Belchior - cantou sensatamente: "O que há algum tempo era jovem, novo, hoje é antigo. E precisamos todos rejuvenescer". Então, hoje, esta bela canção, que prefiro chamar de inspiração. Porque, no presente, o corpo, a mente, é diferente. E o passado é uma roupa velha, que já não nos serve mais.
Meu compositor e cantor preferido - Belchior - cantou sensatamente: "O que há algum tempo era jovem, novo, hoje é antigo. E precisamos todos rejuvenescer". Então, hoje, esta bela canção, que prefiro chamar de inspiração. Porque, no presente, o corpo, a mente, é diferente. E o passado é uma roupa velha, que já não nos serve mais.
Belchior - Velha Roupa Colorida

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