Tem quase um ano que não venho aqui escrever. Vim outras vezes para viajar (sempre) nos meus textos e memórias, mas a última postagem foi em novembro do ano passado. Bom, não sei o que me inspirou a escrever hoje. Talvez seja a chuva, que tem sido tão rara que quando cai traz lembranças, pode ter sido o aniversário da minha querida Naty, ou talvez seja apenas uma daquelas ondas de nostalgia que inspira. Nostalgia... Acho que não. Minha inspiração hoje não vem só do passado, mas perpassa presente e futuro. Aliás, acho que encontrei o grande responsável pela inspiração (e também transpiração): o tempo. Mais uma vez ele. E quem me conhece, sabe da relação íntima, intensa e complexa que temos.
Há 3 anos eu estava em Torino, no meu segundo mês de intercâmbio, ainda naqueles primeiros 3 meses mais pesados. Há 2 anos, eu não tinha 2 meses no Brasil após o retorno e estava recomeçando na Axxiom, de onde eu tinha saído pouco antes de ir para a Itália. E, há um ano, eu estava completando quase 1 mês de formado e de Fiat. Por ironia do destino (ou não), quando retornei da Itália, me perguntaram quais eram meus planos para o futuro. Respondi: formar-me e trabalhar na Fiat. Talvez eu pudesse ter dito naquele momento: formar-me, trabalhar na Fiat e ganhar na loteria. Mas este último, deixo a cargo daquela sorte "incontrolável", até porque não costumo jogar (que seria o máximo que eu poderia fazer pra ganhar na loteria). Já os dois primeiros, podem ter sido sorte. Mas uma sorte que costumo dizer que é a união da oportunidade com a competência. Hoje estou realizado, assim como eu estava em 2014, na Axxiom, e em 2013, na Itália, e em 2012, no Brasil e no CEFET... No entanto, por mais que, no presente, eu esteja realizado, e que tenha uma expectativa boa de futuro, eu sempre sinto falta do passado. E esse é meu dilema com o tempo.
O tempo deve ser o maior agente da vida. Ele não faz nada sozinho, mas nada acontece sem ele. Uma vez, os grandes (sim! Eu acho!) Gino & Geno escreveram em uma música "O tempo é o senhor de tudo, e tudo depende do tempo". E é isso. Pode parecer crise dos 27 anos (ainda recém completos). Aquela famosa sabe? E vários cantores famoso morreram aos 27. Eu sei que a Amy foi uma delas. Mas, ainda que eu tenha tido meu auge musical escrevendo Pinga com Maçã e O Homem Bomba, não sou músico e não me sinto ameaçado. Até porque travo esta interminável batalha com o tempo há longos anos. É como se eu quisesse aquele controle do Click, sabe? Poder voltar onde e quando eu quiser, mas jamais viver no automático. Se no modo normal já é difícil ter controle, imagina acelerando? E, por mais que Vinícius e Toquinho estivessem certos, e que o futuro seja uma astronave que não podemo pilotar, algum controle é sempre possível e necessário. Do contrário, estaríamos todos perdidos em uma ilha de Lost sem sentido e sem futuro algum.
Independente do tempo ou de qualquer outro agente, o sentido da vida é buscar o único sentimento fim: a felicidade. Todos os outros são meio, são caminhos. E aprendi, a duras penas, que felicidade não pode ser definida nem tampouco julgada. Não é algo que está no script como um filme. Felicidade é pessoal. E não tem nada mais triste que passar pela vida sendo infeliz. Por mais que felicidade não seja um sentimento perene, ela é quem faz o tempo valer a pena e deve ser buscada a cada momento. Sabe o vinho? Ele não está aí na foto por causa do tempo e sua característica de melhorar ao envelhecer. Ele está aí, pois, ao envelhecer demais e de forma inadequada, sem ser apreciado no tempo, o vinho tinto perde a cor e fica mais claro, já o vinho branco vai ganhando cor e ficando mais escuro. No final da vida, já perdido, não é possível saber se aquele vinho foi tinto ou branco. Não importa sua origem ou seu caminho, no final, somos todos iguais. Exceto pelo que levamos de história e sentimentos. E, se perdermos tempo, nos perdemos.
E a música de hoje será, obviamente, uma sobre o tempo. O próprio título já diz tudo: Tempo Perdido. Mas o mais fantástico na letra dessa música é a transformação de "temos todo tempo do mundo" para "não temos tempo a perder" e, finalmente, "temos nosso próprio tempo".
Legião Urbana - Tempo Perdido
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